Reprodução/ Estadão
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Indústria automotiva está em 'transformação sem precedentes'

Afirmação foi feita durante evento realizado pelo Estadão Blue Studio sobre neutralidade de carbono

Toyota, Estadão Blue Studio
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15 de outubro de 2021 | 08h00

O pacto global para zerar a emissão de dióxido de carbono (CO2) até 2050 é ambiciosa, impõe desafios e uma transformação sem precedentes na indústria automotiva. A descarbonização implica mudanças na economia e requer atuação conjunta dos atores envolvidos: governo, indústria e sociedade. “A redução do carbono é um caminho sem volta”, disse o presidente da Toyota do Brasil, Rafael Chang. “Olhando todo o ciclo de vida, da produção ao destino final, nossa indústria tem uma transformação sem precedentes.”

As declarações de Chang foram feitas durante evento produzido pelo Estadão Blue Studio e patrocinado pela Toyota com o tema “Neutralidade de carbono: metas e desafios da nova era da mobilidade”. Também estiveram presentes no primeiro painel o presidente da Bosch na América Latina, Besaliel Botelho, e o diretor-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi.

Os três falaram sobre os desafios da descarbonização no transporte e das necessidades de apostar em soluções “práticas e sustentáveis”. Também discutiram formas de investir no setor e de regulamentar para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Matriz energética

No setor automotivo, a meta de descarbonização vai além da eletrificação dos veículos e do fim dos motores movidos a combustível fóssil. Envolve também mudanças na matriz energética, na infraestrutura e no comportamento das pessoas.

“Não adianta resolver o problema do setor da mobilidade do transporte sem resolver o problema de uma forma ampla, que é a geração de energia. Temos de olhar para o todo, não só para aquilo que sai do escapamento do veículo”, afirma Botelho.

O presidente da Bosch na América Latina acrescentou que o impacto do transporte nas emissões de CO2 por aqui é pequeno, de 13%, enquanto a energia corresponde a 17%. O Brasil, segundo os três empresários, reúne condições para ser referência nesse desafio sustentável.

“Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Incluindo, sobretudo, o etanol. Mais do que potencial, somos uma realidade”, comentou Chang.

O diretor-presidente da Unica disse que o País já tem mobilidade de baixo carbono. “Nossos veículos a etanol emitem cerca de 35 miligramas de CO2 por quilômetro, enquanto o melhor elétrico europeu emite mais de 50. O Corolla híbrido flex, segundo os nossos cálculos, gira em torno de 29 miligramas de CO2 por quilômetro rodado. Não tem nenhum carro no mundo que faça isso hoje.”

Uso dos biocombustíveis

O caminho para mobilidade com zero emissão de carbono tem mais de uma rota tecnológica a ser adotada. Os elétricos 100% movidos a bateria são uma delas. No Brasil, os híbridos flex, que combinam o motor elétrico e o motor de combustão por etanol, são a principal saída de transição para o futuro da mobilidade.

“O processo de descarbonização demanda hoje um investimento altíssimo em novas rotas tecnológicas”, disse Thiago Sugahara, gerente de Assuntos Governamentais da Toyota Brasil e diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Para ele, o processo de eletrificação pode ser combinado com outras matrizes energéticas e, assim, atingir o objetivo final, que é a neutralidade de carbono.

Sugahara participou do segundo painel do debate, que teve como foco as tecnologias usadas para atingir a meta do carbono neutro. Junto com ele estavam Claudio Oliveira, vice-presidente de Assuntos Institucionais & Sustentabilidade da Raízen, e Patrícia Iglecias, diretora-presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

“Acreditamos que os biocombustíveis façam parte dessa transição energética. O que estamos fazendo hoje no Brasil ninguém faz em termos de solução de uma energia mais limpa”, disse Oliveira. Além do etanol, ele cita o biodiesel e o parque instalado para produção de biogás como oportunidades a serem exploradas na descarbonização.

A diretora-presidente da Cetesb concorda. “Percebemos que o mundo vem caminhando para a eletromobilidade. Temos investimentos nos motores elétricos, mas os híbridos são uma solução interessante, porque eles vão integrar a tecnologia dos elétricos e, ao mesmo tempo, a questão do etanol”, acrescenta Patrícia, lembrando que eles têm muito menos emissões que a gasolina, de 70% a 90% menos.

Vendas em alta

As vendas de veículos eletrificados só crescem no Brasil e no mundo. “Estamos vendo que o mercado consumidor está avaliando positivamente essas novas tecnologias”, afirmou o presidente da Toyota no Brasil, Rafael Chang, ao falar sobre os modelos Corolla Sedan e Corolla Cross híbridos flex, que passaram a ser produzidos no Brasil em 2019.

“Nosso planejamento considerava mais ou menos entre 15% ou 20% dentro da demanda do modelo. Mas a demanda e a resposta do mercado foram muito maiores do que o planejado. Agora está chegando em quase 30%.”

O gerente de Assuntos Governamentais da Toyota Brasil, Thiago Sugahara, disse que, nos últimos três anos, “a participação dos veículos eletrificados saltou de 4 mil unidades emplacadas por ano, em 2018, para 12 mil, em 2019, e 20 mil, em 2020, mesmo com a crise”. Para 2021, a Associação Brasileira de Veículos Eletrificados (ABVE) prevê que passe dos 30 mil.

Os veículos híbridos flex têm grande parte desse total. “Interessante que a Toyota começa a produzir para atender outros mercados. Conseguimos lançar em março o Corolla Cross, nosso primeiro SUV híbrido flex. Hoje, 30% da produção desse carro está destinada para exportação.”

O diretor-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi, afirmou que a tendência é que mais ou menos 2 bilhões de pessoas busquem soluções alternativas. “Isso coloca o Brasil não só para resolver o seu problema, mas para resolver complementarmente uma parte do problema no mundo.” Um dos exemplos é a parceria com a Índia e os recentes anúncios do governo local de adoção dos híbridos flex.

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