Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Indústria avança 0,4% em janeiro, na 9ª alta seguida

Crescimento desacelerou e foi menos disseminado entre as atividades investigadas pelo IBGE, alcançando apenas 11 entre as 26

Daniela Amorim e Gregory Prudenciano , O Estado de S.Paulo

05 de março de 2021 | 09h24
Atualizado 05 de março de 2021 | 13h46

RIO e SÃO PAULO - A indústria brasileira engatou uma sequência de nove meses de recuperação, mas o ritmo de crescimento desacelerou em janeiro. A alta de 0,4% em relação a dezembro foi a mais branda do período de recuperação que sucedeu o choque inicial provocado pela pandemia de covid-19, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta sexta-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço também foi menos disseminado entre as atividades investigadas, alcançando apenas 11 entre as 26 que integram a pesquisa. Excluindo as indústrias extrativas do cálculo, a indústria de transformação teve um recuo de 0,1% em janeiro ante dezembro, depois de oito meses seguidos de crescimentos. 

Vários fatores estão por trás do dinamismo menor da indústria em janeiro, especialmente o fim do pagamento do auxílio emergencial pelo governo, avaliou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

“Claro que tem uma série de fatores que estão por trás desse número (crescimento mais fraco), talvez algo que vinha sustentando o crescimento em meses anteriores, como o auxílio emergencial, que não está mais presente”, explicou Macedo.

O pesquisador complementa que também afetaram o desempenho da indústria fatores como a escassez de matéria-prima, o custo de produção mais elevado e o mercado de trabalho ainda deteriorado, com desemprego elevado e milhões de pessoas fora da força de trabalho.

O recrudescimento da pandemia também prejudicou os resultados de janeiro, especialmente no Estado do Amazonas, fortemente afetado pela alta no número de casos, com consequência sobre a linha de produção de bens duráveis na zona franca de Manaus.

“As motocicletas estão com queda muito intensa para esse mês (janeiro), os eletrodomésticos da linha marrom também. A pandemia e os efeitos dela dentro daquele estado ficam muito evidentes na produção de bens de consumo duráveis para esse mês”, apontou Macedo, mencionando a redução da jornada de trabalho e a restrição à circulação de pessoas em determinados horários.

Os dados desagregados da pesquisa do IBGE trazem indicações ruins para a produção industrial nos próximos meses, opinou o economista João Batista Leal, da Rio Bravo Investimentos. "A produção industrial de fevereiro ainda não deve ser negativa na margem, deveremos ter estabilidade ou crescimento mais baixo do que em janeiro”, estimou Leal, lembrando que os dados de confiança mostram uma situação pior.

Apesar do aumento recente das incertezas envolvendo a economia brasileira, a produção industrial deve crescer em 2021, após o tombo de 4,50% em 2020, projeta a economista da XP Investimentos Lisandra Barbero.

"Alguns indicadores já mostram que a indústria pode perder fôlego nos próximos meses, em meio ao aumento das incertezas. Mas ainda assim esperamos que a produção industrial brasileira cresça 3,5% em 2021", escreveu Barbero, em relatório.

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