Felipe Rau|Estadão
Felipe Rau|Estadão

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Indústria avança 0,9% em janeiro e tenta recuperar perdas do fim de 2019

Atividades que mais cresceram vinham de queda em dezembro, como a de máquinas e equipamentos, aponta o IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 10h54

RIO - Após um fim de ano difícil, a indústria brasileira iniciou 2020 no azul. A produção avançou 0,9% em janeiro ante dezembro, com expansão em 17 das 26 atividades pesquisadas, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 10.

No entanto, as atividades que mais puxaram o crescimento vinham de perdas nos meses anteriores e ainda mantêm um saldo negativo, ponderou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

O perfil de crescimento entre os segmentos industriais em janeiro foi o mais espalhado desde abril do ano passado, quando 22 setores registraram expansão. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física.

Na passagem de dezembro de 2019 para janeiro de 2020, as influências positivas mais importantes sobre o total da indústria foram de máquinas e equipamentos (11,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,0%), metalurgia (6,1%), produtos alimentícios (1,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,3%).

“Atividades que cresceram muito vinham de queda. Dos cinco principais ramos industriais que puxam crescimento nesse mês, com exceção de derivados de petróleo, as demais atividades vinham de queda no mês anterior. Algumas atividades vinham de dois meses de taxas negativas. O que eu quero dizer é que tem uma base de comparação mais depreciada para justificar não só o crescimento desse mês, mas o maior espalhamento das taxas positivas. Isso guarda relação importante com as perdas registradas em novembro e dezembro”, explicou Macedo.

O segmento de metalurgia, em que várias unidades produtivas vinham paralisando a produção por desligamento de alto forno em função da demanda mais fraca, o resultado positivo de janeiro sucede sete meses de taxas negativas, quando acumulou uma perda de 9,5%. Após o avanço de janeiro, o saldo da atividade ainda é negativo em 4,0%.

Em máquinas e equipamentos, houve melhora em janeiro na produção de bens para a modernização do setor industrial e para o setor agrícola. No entanto, a atividade vinha de uma perda de 10,6% acumulada em novembro e dezembro, ou seja, o saldo ainda é negativo em 0,4%.

No caso de veículos, o avanço na produção em janeiro elimina apenas parte da perda de 9,8% acumulada de outubro a dezembro. O saldo é negativo em 6,2%. No ramo de produtos alimentícios, houve perda de 4,7% em novembro e dezembro. Após a alta de janeiro, o saldo está negativo em 3,2%.

“Derivados (de petróleo) é exceção, avança pelo terceiro mês, com ganho acumulado de 8,8%. Dentro dessa atividade tem o álcool. De dezembro para janeiro, a parte de derivados de petróleo tem desempenho negativo, o que sustenta muito desse crescimento é a parte do álcool”, apontou Macedo.

Outro setor importante com avanço em janeiro ante dezembro foi o farmacêutico. A alta de 6,2% não anula as perdas de 8,2% acumulada em novembro e dezembro. O saldo negativo é negativo em 2,5%.

Outras contribuições positivas relevantes em janeiro foram de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (6,5%), outros produtos químicos (1,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (3,0%), celulose, papel e produtos de papel (1,6%) e produtos de minerais não-metálicos (1,8%).

Na direção oposta, entre os oito segmentos com redução na produção, os desempenhos mais relevantes foram de impressão e reprodução de gravações (-54,7%) e indústrias extrativas (-3,1%).

Entre as categorias de uso, a alta de 12,6% na produção de bens de capital em janeiro ante dezembro também não recuperou a perda de 13,5% acumulada nos dois últimos meses de 2019, lembrou Macedo.

“A entrada desses 12,6% tem que ser pensada sobre algo que tinha recuado bastante, está longe de recuperar essa perda recente que essa categoria teve. Bens de consumo duráveis teve comportamento semelhante. Duráveis tinham recuado 6,8% em novembro e dezembro. Essa alta de 3,7% (em janeiro) está longe de recuperar essa perda”, afirmou o pesquisador do IBGE.

Segundo André Macedo, as perdas recentes de bens de capital e bens de consumo duráveis têm em comum a indústria automobilística, que reduziu a produção de automóveis e de caminhões com a concessão de férias coletivas aos trabalhadores.

“A gente observa uma redução de ritmo das montadoras, com maior frequência de férias coletivas, isso traz uma menor produção. Com a volta dessa produção em janeiro, aí há um crescimento natural após essa perda mais intensa nos últimos meses de 2019”, explicou Macedo.

Os bens de consumo semiduráveis e não duráveis chegaram a janeiro com três meses de resultados negativos, totalizando um recuo de 2,2%.

“(A indústria) Começa o ano no campo positivo, mas esse resultado precisa ser relativizado. Não pode interpretar esse crescimento (de janeiro ante dezembro) como se fosse permanecer crescendo”, concluiu Macedo.

A indústria teve uma queda de 0,9% em janeiro de 2020 ante janeiro de 2019. Em 12 meses, a produção acumula uma perda de 1,0%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.