Indústria brasileira está tecnicamente em recessão, diz IBGE

A indústria brasileira está tecnicamente em recessão, afirmou hoje o coordenador do departamento de indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Silvio Sales. Segundo ele, a recessão técnica é confirmada pelas duas quedas consecutivas semestrais ocorridas na produção ante trimestre imediatamente anterior. A produção da indústria brasileira, segundo o IBGE, caiu 1% no primeiro trimestre deste ano, ante o último trimestre do ano passado e registrou queda de 2,6% no segundo trimestre de 2003, ante o primeiro trimestre do mesmo ano. "Esses dados mostram que a indústria está em recessão", disse Sales.(Veja os números de junho, divulgados hoje pelo IBGE.) Segundo Sales, a piora do quadro industrial no segundo trimestre deste ano pode ser explicada pela queda da demanda doméstica, por causa da baixa capacidade de consumo interno. Na comparação com iguais trimestres de 2002, a produção da indústria cresceu 2,5% no primeiro trimestre e registrou queda de 2,1% no segundo trimestre deste ano. No primeiro semestre, o setor ficou estagnado, com expansão de apenas 0,1% ante igual período do ano passado. O pior momento do ano A indústria brasileira chegou ao pior momento deste ano em junho, com sinais fortes de queda de investimentos, segundo apontam os dados divulgados hoje pelo IBGE. "Os dados de junho sugerem que o movimento de queda na produção continua generalizado", disse Silvio Sales. Os efeitos da queda da demanda interna, que já eram visíveis nos bens duráveis e não duráveis, chegaram agora aos setores de bens de capital e intermediários. "As exportações continuam dando sua parcela de contribuição para o setor, mas não seguram mais um crescimento da média da indústria por causa dos problemas da demanda interna", disse Sales.Todas as categorias de uso apresentaram queda na produção em junho ante igual mês do ano passado: bens de capital (-6,4%), intermediários (-2,6%), bens de consumo durável (-2,5%) e bens de consumo não durável (-0,6%). Segundo Sales, a queda em bens de capital aponta retração de investimentos no setor, como resultado da perspectiva pessimista em relação a possível aumento da demanda nos próximos meses. "O acúmulo excessivo de estoques de bens finais e a queda na demanda interna começam a atingir de maneira mais forte os investimentos e a produção de bens intermediários", observou Sales. Desaceleração maior nos setores ligados à demanda internaOs segmentos da indústria especialmente vinculados à demanda interna acentuaram a desaceleração da produção no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro trimestre, na comparação com iguais trimestres do ano passado. Esse foi o caso, por exemplo, de eletrodomésticos (-7,3% no primeiro trimestre de -13,3% no segundo trimestre), , calçados (-2,5% e -9,5%), artigos do vestuário (-17,5% e -22,7%), cimento (-8,8% e -14,8%), embalagens (-4,4% e -6,5%) e automóveis (1,4% e -11,1%). No caso dos automóveis, a trajetória de queda na produção persistiu forte em junho, com redução de 6,5% ante igual mês do ano passado. O coordenador do departamento de indústria do IBGE, Silvio Sales, disse que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis, anunciada ontem pelo governo, terá que primeiro ter uma repercussão positiva sobre os estoques do varejo, para que os efeitos cheguem então à produção industrial. "O setor automobilístico deverá agora normalizar estoques", disse. PIB industrial deve mostrar estagnaçãoO Produto Interno Bruto (PIB) industrial deverá apresentar queda no segundo trimestre e estagnação no primeiro semestre deste ano, segundo avalia Silvio Sales. Os dados do PIB do País do segundo trimestre e dos primeiros seis meses do ano serão divulgados pelo instituto no próximo dia 28. "Provavelmente o PIB da indústria terá números semelhantes aos da produção, ainda que não exatamente iguais, já que a pesquisa leva em conta outras informações", disse Sales. O setor industrial representa cerca de 30% do PIB do País e apresentou no segundo trimestre deste ano queda de 2,1% ante igual período do ano passado e redução de 2,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano. No primeiro semestre, a produção da indústria ficou estagnada (0,1%).

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