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Indústria brasileira perde espaço na Europa

No primeiro trimestre, exportações brasileiras de manufaturados para a União Europeia tiveram queda de quase 20%

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2013 | 02h07

A indústria brasileira vem perdendo cada vez mais espaço na Europa. Dados compilados pela Comissão Europeia e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em Brasília apontam que, no primeiro trimestre, o Brasil já soma uma retração 11,5% de suas exportações para a Europa, na comparação com o mesmo período de 2012. O problema é que, no ano passado, a queda já foi de 7,7%.

No primeiro trimestre, as exportações de produtos básicos tiveram uma redução de 9%. Mas foram os produtos manufaturados que mais pesaram na conta. A queda já chega a quase 20%, redução que só se equipara à queda de 22% em 2009, o pior ano do comércio global em 70 anos.

O ápice da exportação brasileira para a Europa foi registrada em 2011, com vendas de US$ 52 bilhões, valor cinco vezes superior ao registrado em 1990. Mas grande parte dessa expansão ocorreu graças ao aumento dos preços de commodities.

Pelos números da Comissão Europeia e do Ministério, o déficit comercial do Brasil com os europeus chegou a US$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre. Se a tendência for mantida no restante do ano, 2013 deve reverter 14 anos de balança comercial positiva. O ano ainda caminha, além disso, para acumular o pior déficit comercial brasileiro com o seu maior parceiro desde que os dados começaram a ser compilados, em 1989.

A recessão no mercado europeu, a decisão de governos e empresas de fecharem as torneiras e não investir e a queda acentuada no consumo de famílias foram fatores que acabaram contaminando o Brasil.

Receio. O que mais preocupa autoridades no Brasil é que o déficit não está sendo registrado apenas com países em crise. Com a Alemanha, maior economia do bloco, por exemplo, exportações brasileiras caíram 20%, enquanto as vendas alemãs ao Brasil se mantiveram estáveis no início do ano. O resultado é um déficit para o Brasil que já acumula US$ 2 bilhões.

As exportações para a segunda maior economia da Europa, a França, caíram 5%. No trimestre, o buraco já é de US$ 747 milhões. Com a terceira maior economia da zona do euro, a Itália, a queda nas vendas nacionais foi de 3%, somando um déficit de US$ 500 milhões.

E, se as exportações brasileiras para a Europa sofrem, empresas do Velho Continente continuam expandindo suas vendas no mercado brasileiro. Nos três primeiros meses do ano, as exportações da Europa para o Brasil aumentaram 2,4%. Em 2012, elas haviam tido uma alta de 2,6%.

O resultado dessa combinação de fatores é um cenário radicalmente diferente da relação comercial entre Brasil e Europa dos últimos anos. 2013 ainda marcará um forte contraste em relação ao ano de 2007, quando o Brasil registrou um superávit comercial com a Europa de US$ 13 bilhões.

Em 25 anos, o maior déficit brasileiro com a Europa ocorreu em 1998, quando o ano terminou com um buraco de US$ 1,9 bilhão, praticamente o mesmo nível que o Brasil já tem em 2013 com a Europa. / J.C.

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