Indústria brasileira terá de ceder em Doha, diz OMC

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, afirmou a um grupo de empresários reunidos na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), nesta sexta-feira, que a indústria brasileira é competitiva e precisará ceder para que a Rodada de Doha saia do impasse. No encontro, Lamy deu a entender que União Européia e Estados Unidos deverão fazer novos movimentos para a liberalização na área agrícola. Se, de fato, isso acontecer, a indústria brasileira terá de recuar de sua posição atual, que é a de aceitar somente se União Européia e Estados Unidos ampliarem suas ofertas agrícolas, no máximo, um corte de 50% nas tarifas industriais (Fórmula Suíça 30).Fatores limitadoresLamy ouviu dos empresários que a indústria brasileira enfrenta fatores que limitam sua competitividade (juros, câmbio e carga tributária, por exemplo). Sua mensagem, ainda assim, foi de que "a indústria é competitiva", embora haja alguns setores mais frágeis. Em outras palavras, o diretor-geral da OMC acredita que o Brasil pode sim ceder mais nas negociações do Nama (sigla em inglês para as negociações de acesso a mercado de bens não-agrícolas). "Os grandes atores (União Européia, Estados Unidos e G-20) têm de se mover (em relação às propostas de liberalização), o que significa que precisamos de uma redução real nas tarifas de bens industriais", afirmou, ressaltando que o Brasil é hoje um negociador muito mais ofensivo (por suas posições no tema agricultura) do que defensivo.ImpasseO impasse na Rodada Doha, lançada em 2001, é formado basicamente por três temas: subsídios agrícolas (divididos em apoio à exportação e apoio doméstico), tarifas agrícolas e tarifas para produtos não-agrícolas.Apoiado pelo G-20, do qual é um dos líderes, o Brasil quer maior liberalização para a agricultura, e só aceita abrir mais seu mercado para bens industriais se houver reduções substancias nos subsídios e nos picos tarifários agrícolas.Os Estados Unidos, segundo Lamy, são mais ofensivos nas áreas industriais e de serviços e mais defensivos em agricultura, assim como a UE . O G-20 é mais ofensivo em agricultura e menos em áreas industriais. "Mas é preciso chegar rapidamente a um acordo, que espero possa começar a ser costurado hoje e amanhã no Rio de Janeiro", disse Lamy, afirmando que o que existe sobre a mesa de negociações não é suficiente a um acordo entre os três principais players (EUA, UE e G-20).Lamy está no Brasil para participar, como observador, da reunião que acontece nesta sexta no Rio de Janeiro entre o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Portman, e o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson (sucessor de Lamy no cargo).

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