Indústria brasileira vive clima de desalento

Após ver produção despencar 8,7% no ano passado, empresas não têm esperança de que ocorra uma recuperação consistente da economia ao longo de 2016

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2016 | 03h00

A produção industrial brasileira acumula queda de 8,7% nos últimos 12 meses até janeiro. É o maior recuo desde novembro de 2009, de acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Brasil (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora em janeiro tenha ocorrido um leve crescimento de 0,4% em relação a dezembro de 2015 – interrompendo um ciclo de sete meses seguidos de quedas –, não há esperanças de uma recuperação consistente para o ano.

Com isso, a expectativa de analistas é que prossigam o fechamento de empresas em diversos segmentos da economia e as demissões de trabalhadores.

Na opinião de Pedro Wongtschowski, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), entidade que reúne vários dos maiores industriais do País, “o cenário da indústria para os próximos dois anos depende muito do que vai ocorrer com a economia” ao longo do ano.

Estudo recente do Iedi constata que a indústria brasileira teve o pior desempenho entre as principais economias globais no quarto trimestre de 2015.

A produção nacional recuou 12,4% na comparação com igual período do ano anterior, desempenho muito inferior ao da produção mundial, que registrou crescimento de 1,9%.

A produção da Rússia, país que também passa por grave crise econômica, teve queda de 5,7% no quarto trimestre. No Chile, houve recuo de 1,5%, e na Argentina de 0,9%. O México apresentou crescimento de 2,2%. Na América Latina como um todo, a queda foi de 4%.

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Ocupação em fábricas fechadas

Grupo de funcionários ocupa a Mabe, que pediu falência

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 03h00

Após processo de recuperação judicial mal sucedido, a Mabe, fabricante de linha branca, pediu falência em fevereiro e fechou as fábricas de geladeiras Continental em Hortolândia e de fogões Dako em Campinas, ambas no interior de São Paulo. Os 2 mil funcionários estão com salários atrasados desde dezembro e também não receberam as rescisões. Há mais de um mês, um grupo deles ocupa as fábricas.

“Só vamos sair se a massa falida (a Capital Administradora) pagar todos os direitos ou retomar a produção com o efetivo completo”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sidalino Orsi Júnior. Só a dívida trabalhista soma R$ 19 milhões.

A Capital pretende retomar a produção, mas só com 500 funcionários. A Justiça determinou a desocupação da fábrica de Hortolândia e a qualquer momento a Polícia pode entrar no local para retirar os trabalhadores.

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Empresa ainda deve salários

Autopeça foi fechada há um ano

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 03h00

Os 770 trabalhadores da Metalúrgica de Tubos de Precisão (MTP), fechada há pouco mais de um ano em Guarulhos (SP) ainda esperam pelo pagamento integral dos salários, diz o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Josinaldo José de Barros. “A empresa estava pagando em parcelas, mas parou.”

A MTP fornecia peças para fabricantes de automóveis e de motocicletas, segmentos cujas vendas despencaram. Barros, contudo, também credita o fechamento “a problemas de gestão”. A empresa está na cidade há pelo menos 50 anos e já passou por vários proprietários.

A gigante no ramo de autopeças Delphi fechou duas fábricas no ano passado, em Mococa (SP) e Itabirito (MG), e este ano encerra a transferência da unidade de Cotia (SP)para Piracicaba (SP). Ao todo, 1,7 mil trabalhadores perderam o emprego. O grupo ainda tem 11 unidades fabris no País.

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Na Proema, pedidos caíram 50%

Proema fechou duas fábricas no ABC

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 03h00

Quando a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Proema, fabricante de autopeças, a fábrica de Diadema e uma de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, já estavam fechadas. O grupo tinha entre os clientes a Fiat, GM, Honda e Mercedes-Benz.

Faturava R$ 500 milhões por ano, mas desde 2014 as encomendas caíram mais de 50%. Os 750 funcionários foram demitidos sem receber as rescisões. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a dívida salarial soma R$ 35 milhões. O diretor da Proema não foi localizado.

A Maxion, que produz rodas automotivas em Guarulhos (SP) há 57 anos, vai desativar a linha produtiva até o fim do ano. A fábrica já empregou 3 mil pessoas, informa o Sindicato dos Metalúrgicos, e hoje tem 500. A entidade negocia um pacote salarial para as demissões. A empresa alega que vai transferir apenas algumas linhas.

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‘Não há sinal de melhora’

Randon fecha planta inaugurada em 1965

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 03h00

Nos últimos 20 meses, a fabricante de implementos rodoviários Randon operou nove meses com semana de quatro dias na fábrica de Guarulhos (SP), inaugurada em 1965. Também houve quatro períodos de férias coletivas de 10 a 30 dias e emenda em todos os feriados.

“Como não vemos um cenário de recuperação, não vimos alternativa a não ser paralisar a produção”, diz Daniel Ely, diretor de RH. As áreas de entrega de produtos e comercial serão mantidas. O grupo também tem fábricas em Caxias do Sul (RS), Joinville (SC) e na Argentina.

No início de 2015 a Randon tinha 400 funcionários em Guarulhos, e agora tem 130. O Sindicato dos Metalúrgicos negocia com a empresa o pagamento de seis salários extras e benefícios para o pessoal que será demitido em abril, mas diz que a empresa resiste em aceitar a proposta.

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