Indústria chinesa cresce pela 1ª vez em 13 meses

Resultado preliminar de novembro indica que a segunda maior economia do mundo começa a reagir, após 7 semestres seguidos de desaceleração

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h20

A atividade industrial chinesa se expandiu pela primeira vez em 13 meses em novembro, no mais recente indício de que a segunda maior economia do mundo começa a reagir, depois de sete trimestres consecutivos de desaceleração.

Resultado preliminar do Índice de Compras de Gerentes (PMI, na sigla em inglês) do HSBC ficou em 50,4 em novembro, acima dos 49,5 em outubro e dos 50 que marcam a divisão entre contração e expansão da atividade econômica.

O impulso foi dado por um aumento nas encomendas para os exportadores chineses e por um aquecimento da demanda doméstica, em consequência de medidas de estímulo adotadas pelo governo chinês a partir de maio. Entre elas, estão o aumento do número de projetos de infraestrutura, a redução nas restrições a empréstimos bancários e dois cortes na taxa de juros.

Fundo do poço. Os dados são uma indicação de que a China atingiu o fundo do poço no terceiro trimestre de 2012, quando cresceu 7,4%, o mais baixo índice desde o início de 2009, no auge da crise financeira global.

A reação deverá evitar um tropeço dramático da segunda maior economia do mundo, mas não deve ser suficiente para provocar uma retomada do crescimento na casa de dois dígitos. Tudo indica que o novo patamar de expansão do país está próximo de algo entre 7% e 8%, abaixo da média de 10% ao ano registrada nas últimas três décadas.

Na opinião do economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin, o resultado confirma que a atividade econômica está mais robusta nos últimos meses do ano. "No entanto, ela ainda está em um estágio inicial de recuperação, enquanto o crescimento global se mantém frágil. Isso exige a continuidade na adoção de medidas de relaxamento para fortalecer a recuperação", observou em nota que acompanhou a divulgação do resultado.

O PMI calculado pelo HSBC reflete principalmente a atividade do setor manufatureiro privado, enquanto o indicador oficial divulgado pelo governo traduz a situação das grandes empresas do setor estatal.

Troca de comando. O anúncio da recuperação do fôlego econômico ocorreu uma semana depois da troca dos líderes que comandam o Partido Comunista. Os novos dirigentes serão responsáveis pela direção do país pelos próximos cinco anos.

Entre os inúmeros desafios dos novos governantes está a reestruturação da economia chinesa, com redução do peso dos investimentos e das exportações na composição do PIB e o aumento da participação da demanda doméstica, especialmente do consumo.

O novo líder máximo da China é Xi Jinping, que assumiu os postos de secretário-geral do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas.

Em março, ele substituirá Hu Jintao na presidência da China, o últimos dos três principais cargos de chefia do país.

Xi Jinping dividirá o poder com Li Keqiang, que será o novo primeiro-ministro no lugar de Wen Jiabao, e outros cinco homens nomeados para o comitê permanente do Politburo, o órgão de cúpula na hierarquia de comando da China.

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