Reação começa na indústria

Cinco de 25 setores da indústria de transformação apresentaram crescimento anual na produção entre fevereiro e abril, aponta levantamento da consultoria MacroSector

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2016 | 14h44

Depois de um longo período de quedas generalizadas, alguns  setores da indústria de transformação começaram a mostrar crescimento da produção. Um levantamento feito pela consultoria MacroSector, com base na produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que no trimestre fevereiro/abril cinco de 25 setores tiveram alguma reação positiva.

“O cenário mudou um pouco, houve um suspiro”, observa o sócio-diretor da consultoria Fabio Silveira. Entre fevereiro e abril, a produção da indústria de transformação caiu 8,7% em relação a igual período do ano passado. É uma queda menos acentuada do que a registrada no trimestre anterior. Entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, produção industrial tinha caído quase 13% em bases anuais.

Silveira ressalta que houve uma desaceleração da queda na indústria como um todo e observa que já é possível identificar alguns setores que apresentam  reação positiva, apesar de condições desfavoráveis de renda, crédito, investimento que persistem no País neste começo de ano. “Estamos falando de 25 setores e cinco mostram alguma reação positiva. Quatro meses atrás nenhum mostrava reação positiva: os 25 estavam afundando”, afirma.

Alimentos. Entre os setores que tiveram alguma reação no último trimestre, o estudo aponta a produção de alimentos, que cresceu 4% entre fevereiro e abril na comparação anual, ante queda 1% entre novembro e janeiro. Neste caso, o economista atribui o aumento da produção ao avanço das exportações, puxadas  pelos segmentos de carnes e de óleos e gorduras.

Silveira acrescenta que também que há um movimento de substituição de importações que pode estar ajudando na produção doméstica. Outro fator importante, na opinião do economista, que tem impulsionado a produção das fábricas é aumento da procura de alimentos básicos mais baratos, adequados ao bolso do consumidor em períodos de crise.

Além dos alimentos, a produção de bebidas não alcoólicas cresceu 5% entre fevereiro e abril deste ano em relação aos mesmos do ano anterior, depois de ter caído 12% entre novembro de 2015 e janeiro de 2016 na comparação anual. Celulose, papel e remédios, com taxas de expansão de 18% e de 5% no último trimestre, respectivamente, engrossam a lista dos setores que exibem resultados positivos.

O quinto setor apontado pelo estudo em que houve uma reação é o de produtos de madeira que não inclui móveis. Neste caso, a produção industrial ficou estável entre fevereiro e abril deste ano comparado com o mesmo período de 2015, depois de ter recuado 9% no trimestre anterior.

Apesar  da reação, o economista pondera que não se trata ainda de uma recuperação segura e sustentável. Na sua avaliação, a recuperação da economia será lenta e demorada. “Temos que esperar ara saber que tipo de política de juros e câmbio será aplicada pelo Banco Central. Até agora é zona nebulosa”, observa.

Outro ponto fundamental para a recuperação da economia são as vendas no varejo, movidas pelo crédito e pela massa salarial. Quando a venda no varejo cresce, ela puxa a produção industrial. Por enquanto, na opinião de Silveira, o cenário não e favorável. “Em dois anos, entre 2015 e 2016, a massa real de rendimentos deve cair entre 25% e 30% em termos reais. Isso é muita coisa”, afirma o economista.

Para 2017, a perspectiva também não é favorável para a massa de rendimentos que deve recuar 1,5% em termos nominais, o que pode significar uma retração de 7%, se for considerada a inflação projetada para o período. “A reversão do crédito e das vendas do varejo é fundamental para que o setor industrial volte a crescer de forma consistente”, diz Silveira.

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