Indústria continua a pedir incentivos

Argumento dos empresários é que ?a crise não acabou?

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

Horas depois de o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, advertir que não há mais espaço para desonerações fiscais, o setor industrial reforçou o pedido por novos incentivos oficiais, durante a sexta reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC). O argumento da indústria é que a "crise não acabou" e há ameaça de "desindustrialização". Do encontro, comandado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a indústria não saiu com a promessa de novas benesses - nem mesmo a prorrogação, a partir de julho, das desonerações fiscais concedidas aos fabricantes de automóveis, de materiais de construção e de eletroeletrônicos. Os cerca de 30 representantes de dez setores industriais arrancaram, na reunião do GAC, apenas o tímido compromisso do governo de estudo de uma "agenda estruturante", na qual seriam avaliadas as medidas oficiais que afetam a competitividade. única exceção foi o setor de bens de capital, para o qual o governo estuda uma nova desoneração tributária, como confirmou o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, antes da reunião. Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, a maior parte dos segmentos industriais ainda vive em plena crise, com queda brusca de investimento, elevada ociosidade e perda de empregos. Monteiro Neto insistiu na desoneração da folha de pagamento, na redução dos impostos incidentes sobre a energia elétrica e na solução para o acúmulo de créditos tributários. "Estamos em plena crise. O discurso otimista do governo de que o Brasil já saiu da crise é irrealista'', afirmou. ''Se não enfrentarmos essa nova agenda, o Brasil viverá um processo de desindustrialização e terá de renunciar à condição de maior plataforma industrial da América Latina para se tornar exportador de commodity."No encontro do GAC, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, elogiou a desoneração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas tratou com cautela da possível prorrogação do benefício.À imprensa, Schneider respondeu indiretamente à crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a queda do Produto Interno Bruto (PIB), no primeiro trimestre, deveu-se à precipitação de setores que reduziram a produção no final do ano, como o automotivo. "Temos uma produção estruturada e adequada à demanda interna atual", afirmou.

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