Indústria continua pessimista no 3º trimestre, aponta CNI

A sondagem industrial do terceiro trimestre de 2005 divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o nível de atividade industrial manteve-se relativamente estável no trimestre. Segundo a CNI, a acomodação não é comum nesse período, e sazonalmente a tendência é de expansão. A perda de dinamismo, segundo o documento, foi mais intensa entre as empresas de pequeno e médio porte, o que afetou o nível de empregos da indústria. Além disso, os estoques de produtos finais permaneceram acima do desejado pelo terceiro trimestre consecutivo. Embora os indicadores sobre as atuais condições do nível de atividade na comparação com os últimos seis meses tenham melhorado em relação ao apurado na pesquisa referente ao segundo trimestre do ano, os números continuam abaixo de 50 pontos, o que indica pessimismo no setor.O coordenador da unidade de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, avaliou que o pessimismo do setor industrial se deve ao desaquecimento da economia com a estabilização da produção no terceiro trimestre e a manutenção dos estoques em níveis mais elevados do que o esperado pela indústria.Além disso, a taxa de câmbio, segundo ele, continua afetando significativamente a margem de lucro das empresas exportadoras forçando-as a aumentarem os preços e, com isso, gerando uma expectativa de perda de mercado no exterior.Natal não deve ajudarOntem, diretores dos departamentos econômicos do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em resposta à perspectiva positiva da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) de que o Natal de 2005 será o melhor dos últimos anos, mostraram-se pessimistas. Segundo os representantes da indústria, o Natal deste ano não será tão bom para a indústria como o comércio tem anunciado."Do lado da indústria, não se percebe isso", adiantou o diretor titular do Departamento de Economia do Ciesp, Boris Tabacof. "É provável que seja o Natal dos importados, com o câmbio como está, favorecendo a venda de castanha, bacalhau português, vinhos portugueses e franceses."O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, também não demonstrou nenhuma empolgação ao analisar o comportamento do mercado consumidor no fim do ano. "As perspectivas de final de ano sempre existiram. O que nos faz acreditar num excelente Natal? Nada, em especial", opinou Francini.

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