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Indústria corta investimentos de R$ 21 bi

Segundo sondagem da Fiesp, 25% das indústrias brasileiras reveem planos de aumento de capacidade de produção

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

A forte contração da atividade econômica por causa da crise mundial abalou os planos de investimentos da indústria brasileira. Com demanda mais fraca no mercado interno e exportações em baixa, boa parte das empresas preferiu rever as estratégias de expansão. Algumas optaram pela redução do volume planejado. Outras adiaram (e até cancelaram) por tempo indeterminado projetos já autorizados inclusive por conselhos de administração.Uma sondagem feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com 1.204 indústrias do País, mostra que o número de empresas que não pretende investir em 2009 subiu de 11% no ano passado para 25% agora. Isso significa que, pelo menos, uma em cada quatro companhias suspendeu seus projetos de ampliação. Na prática, o volume de investimento vai encolher R$ 21,4 bilhões - de R$ 102,5 bilhões para R$ 81,1 bilhões.Como a maioria dos recursos seria aplicada na compra de máquinas e equipamentos para ampliação da produção, o recuo terá impacto direto na geração de empregos. A expectativa é de uma redução de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos em três anos, afirma o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. "Este ano a maioria das empresas vai investir apenas na manutenção de seus mercados. Dificilmente o quadro vai se alterar no curto prazo."Foi esse cenário obscuro que fez a Moinho Pacífico adiar o projeto de uma nova unidade em Santos, no valor de R$ 120 milhões. A empresa, com mais de 50 anos de tradição no mercado de trigo, planejava iniciar no segundo semestre deste ano a construção de uma planta com duas linhas de produção ao lado das cinco linhas já existentes na Baixada Santista.O investimento elevaria em 40% a capacidade de processamento de farinha da empresa e alocaria 500 trabalhadores diretos e indiretos. "Estudamos esse empreendimento desde 2006. Já contatamos as empresas de equipamentos e temos todos os orçamentos. Mas vamos esperar 2010 até que o cenário fique mais claro", destacou o presidente da empresa, Lawrence Pih.Apesar do adiamento, o empresário acredita que o setor de alimentos possa sair dessa crise apenas com alguns arranhões. "A explicação está no crescimento vegetativo que acrescenta todo ano cerca de 3 milhões de pessoas ao mercado", observa Pih. A sondagem da Fiesp, no entanto, aponta para uma queda de 11,9% dos investimentos do segmento de Alimentos e Bebidas este ano.Na indústria de autopeças, os empresários não estão tão otimistas quanto o presidente da Moinho Pacífico. O faturamento do setor, que até outubro teve crescimento médio de 10,7%, despencou 29,2% este ano. O desempenho provocou redução automática dos investimentos da ordem de 20%. A Bosch, por exemplo, maior fabricante de autopeças do mundo, cortou em 25% os recursos que seriam aplicados este ano, para R$ 60 milhões.O vice-presidente da multinacional alemã, Besalien Botelho, explica que a empresa sofreu forte impacto da queda das exportações para os Estados Unidos e Europa, além da diminuição da demanda local. "Por isso, fizemos uma adequação dos investimentos para a nova realidade." Outro problema enfrentado pela empresa é o fato de não poder contar com ajuda de seus controladores, que vivem situação delicada no exterior por causa da crise das montadoras. "Hoje não temos uma matriz para nos ajudar. Pelo contrário. Nós estamos ajudando", destaca o executivo.A mudança no rumo da economia nacional a partir de setembro do ano passado também obrigou a Dudalina - famosa fabricante de camisas - a fazer adaptações no seu plano de investimentos. A empresa projetava a construção de um novo Centro de Distribuição e até já tinha o financiamento aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com a crise, a alternativa mas viável foi adequar o projeto às instalações já existentes. "Vai ficar um pouco mais apertadinho, mas esta foi a solução. Ia fazer um investimento para o longo prazo, agora apenas para as necessidades de médio prazo", diz a presidente da empresa, Sônia Hess de Souza, destacando que já havia conseguido financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).A forte revisão de projetos, como o da Dudalina, já teve reflexos no balanço da instituição apresentado semana passada. Os pedidos de financiamentos caíram 62,3% e os pedidos em análise, 32,7%. Outro efeito das mudanças será verificado um pouco mais pra frente, no recuo da taxa média de investimento do País em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Depois de um ciclo de alta iniciada em 2003, quando a taxa era de 15,8%, a expectativa é que o indicador caia de 19%para 18,2%.

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