Taba Benedicto/Estadão
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Indústria cresce 1,1% em outubro e fica acima do nível pré-pandemia

Em seis meses de recuperação, o setor acumula alta de 39% e, segundo o IBGE, já está 1,4% acima do patamar de fevereiro

Daniela Amorim e Francisco Carlos de Assis , O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2020 | 09h16
Atualizado 02 de dezembro de 2020 | 12h58

RIO e SÃO PAULO - A produção industrial brasileira teve uma expansão de 1,1% de setembro para outubro, acumulando crescimento de 39% em seis meses de desempenhos positivos, mais do que suficiente para recuperar a perda de 27,1% registrada em março e abril, no pior momento da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta quarta-feira, 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados devem permanecer fortes enquanto durar a necessidade de recomposição de estoques, disse o economista-chefe da AZ Quest, André Muller. Ele destaca que nos últimos dois meses os estoques atingiram níveis insuficientes para atender a contento às demandas da cadeia.

"Para 2021, na medida em que a pandemia for cedendo, a demanda voltará ao padrão normal. Mas no curto prazo os dados serão positivos porque os estoques são insuficientes", justificou Muller.

A indústria operava em outubro no nível de produção mais elevado desde julho de 2018, 1,4% acima do patamar de fevereiro, no pré-pandemia.

Houve avanços em 15 dos 26 ramos pesquisados em outubro ante setembro. Entre as atividades, a influência positiva mais relevante para a média global foi de veículos automotores (4,7%). O setor acumulou uma expansão de 1.075,8% em seis meses de crescimento na produção, mas ainda opera 9,1% abaixo do patamar pré-pandemia.

Outras contribuições positivas relevantes foram de metalurgia (3,1%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,5%), máquinas e equipamentos (2,2%), produtos de metal (2,8%), couro, artigos para viagem e calçados (5,7%), produtos de minerais não-metálicos (2,3%), artigos do vestuário e acessórios (5,0%) e produtos de borracha e de material plástico (2,1%).

Na direção oposta, houve impactos negativos relevantes das perdas de produtos alimentícios (-2,8%) e indústrias extrativas (-2,4%). Houve decréscimos significativos ainda em derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,2%), fumo (-18,7%) e outros produtos químicos (-2,3%).

Em outubro, 15 das 26 atividades investigadas já operavam em nível superior ao pré-crise sanitária. Os níveis mais elevados em relação ao patamar de fevereiro foram os registrados por equipamentos de informática, que operam 16,8% acima do nível pré-pandemia, produtos de madeira (14,1%) e minerais não metálicos (13,7%). No extremo oposto, os segmentos mais distantes do patamar de fevereiro são impressão e reprodução de gravações (-18,3%), outros equipamentos de transporte (-15,1%) e artigos de vestuário (-14,6%).

A sustentabilidade da recuperação industrial depende de uma melhora mais acentuada no mercado de trabalho, defendeu André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

“Toda manutenção dessa trajetória ascendente passa necessariamente pela recuperação da demanda doméstica”, disse Macedo. “Ainda tem um contingente importante de pessoas fora do mercado de trabalho. É um fator limitador para a manutenção de resultados positivos para a produção”, completou.

O pagamento do auxílio emergencial e a recuperação das exportações ajudaram na recuperação da indústria. Porém, apesar da sequência de resultados positivos, houve desaceleração no ritmo de alta em outubro ante setembro, assim como caiu também o número de atividades em expansão. Para Macedo, não é possível dizer que a redução do valor do auxílio emergencial pago pelo governo federal, de R$ 600 para R$ 300, já tenha afetado o desempenho industrial.

“Não tem como dizer se tem impacto dentro desse resultado (da indústria em outubro). Claro que, intuitivamente, a redução no valor e posteriormente a retirada desse auxílio terão consequências nesse consumo e produção”, reconheceu Macedo.

A indústria do País ainda opera 14,9% abaixo do ápice alcançado em maio de 2011. Na categoria de bens de capital, a produção chegou a outubro 32,8% abaixo do pico registrado em setembro de 2013, enquanto os bens de consumo duráveis operam 26,5% abaixo do ápice de junho de 2013. Os bens intermediários estão 13,6% aquém do auge de fevereiro de 2011, e os bens semiduráveis e não duráveis operam em nível 11,0% inferior ao pico de junho de 2013.

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