Taba Benedicto/Estadão
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Indústria cresce pelo 5º mês seguido e elimina perdas do auge da pandemia

Segundo o IBGE, avanço na produção foi de 2,6% em setembro; resultado acumulado desde maio supera em 0,2% o patamar pré-pandemia, em fevereiro

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 09h30
Atualizado 04 de novembro de 2020 | 16h11

RIO - A produção industrial avançou 2,6% em setembro na comparação com agosto, o quinto mês seguido de alta, deixando para trás as perdas com a covid-19, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira, 4. De maio a setembro, a indústria avançou 37,5%, eliminando o recuo acumulado apenas em março e abril, quando o setor enfrentou o auge da crise causada pela pandemia, com medidas de isolamento que fecharam as fábricas e seguraram o consumo. Agora, o nível da produção está 0,2% acima do registrado em fevereiro.

Para economistas, os dados confirmam a retomada da economia no terceiro trimestre, mas o IBGE alertou para incertezas em torno da continuidade do crescimento. Se a retomada recente eliminou as perdas da pandemia, não bastou para recuperar o desempenho negativo dos últimos anos: o nível da produção ainda está 15,9% abaixo do máximo, atingido em maio de 2011.

“Ainda falta todo um espaço importante para zerar perdas do passado. Todo esse crescimento (recente) serviu para zerar a queda do ano de 2020”, afirmou André Macedo, gerente da Pesquisa Mensal Industrial - Produção Física (PIM-PF) do IBGE.

A retomada dos últimos meses levou a produção industrial do terceiro trimestre a um salto de 22,3% ante o segundo trimestre. Para o economista da MAG Investimentos Julio Cesar Barros, o resultado confirma sua estimativa de aumento de 7,8% no Produto Interno Bruto (PIB) na mesma base de comparação. Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho na América Latina, Luciano Rostagno, o desempenho da indústria colocou um “viés de alta” para sua projeção de crescimento econômico de 7,5% no terceiro trimestre.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, também vê espaço para melhorar as estimativas de crescimento. A equipe de economistas da Austin ainda espera um tombo de 5,1% no PIB de 2020, diante da recessão causada pela pandemia, mas os resultados mais recentes indicam uma queda mais amena, em torno de 4,4%.

“Esses resultados positivos vão consolidando, pavimentando o processo de recuperação, a retomada que está em curso”, afirmou Agostini.

Ainda no lado positivo da balança, a produção da indústria de bens de capital subiu 7% ante agosto. Embora, na comparação com setembro de 2019, tenha havido queda de 2%, o número “sinaliza para taxas de investimento maiores nos próximos meses”, disse a economista da XP Investimentos Lisandra Barbero.

Além disso, até setembro, o processo de recuperação do tombo que a indústria tomou em março e abril se deu de forma generalizada. Na comparação com agosto, houve alta em 22 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE, num movimento puxado pela indústria automotiva.

As incertezas em relação ao fôlego da economia para manter esse ritmo de recuperação até o fim do mês e em 2021 se devem ao papel das medidas de mitigação da crise adotadas pelo governo, como o auxílio emergencial, a expansão de crédito e incentivos à manutenção do emprego. Para Macedo, do IBGE, a recuperação recente foi “totalmente” marcada pelas medidas, porém, no cenário mais amplo, o mercado de trabalho, com 14 milhões de desempregados, segue como principal “gargalo” para a demanda da indústria.

“Esse ritmo de expansão não é sustentável, deve se provar temporário, já que está fortemente influenciado pelos estímulos na economia”, disse Rostagno, do Mizuho.

A perspectiva de redução, de R$ 600 para R$ 300 ao mês, e posterior retirada do auxílio emergencial poderá diminuir a demanda doméstica verificada nos últimos meses.

“Intuitivamente, reduzir a renda à metade traz um reflexo negativo. Agora, para ver qual o impacto disso na produção, temos que esperar”, afirmou Macedo, do IBGE.

O setor automotivo é um bom exemplo das incertezas sobre a continuidade do ritmo da retomada. A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias avançou 14,1%, com a continuidade do retorno à produção após a paralisação decorrente da pandemia. Ainda assim, o nível de produção dessa atividade está 12,8% abaixo do patamar de fevereiro.

Segundo Macedo, para além da volta à normalidade do trabalho nas fábricas, fechadas no início do período de isolamento social, há também efeitos da demanda sobre o desempenho. “Os juros baixos têm ajudado a impulsionar as vendas”, enquanto “os estoques estão normalizados”, o que indicaria a continuidade da recuperação nos próximos meses.

“Mas temos uma série de gargalos da demanda, como o mercado de trabalho, que podem influenciar o comportamento mais à frente”, ponderou Macedo.

Na comparação com 2019, o terceiro trimestre ainda fechou com queda de 0,6%. A retração desacelerou fortemente ante o segundo trimestre, quando houve tombo de 19,4% sobre igual período do ano passado. Isoladamente em setembro, a alta de 3,4% ante setembro de 2019 quebrou uma sequência de dez quedas.

Nessa base de comparação, a indústria automotiva ainda amargou 13,7% de queda na produção. A alta em relação a setembro de 2019 foi puxada pela fabricação de produtos alimentícios (11,1%), impulsionada pela demanda interne e externa, e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (7,8%). / COLABORARAM THAÍS BARCELLOS, CÍCERO COTRIM E GREGORY PRUDENCIANO

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