Indústria cresceu 3% em média em dez anos, diz IBGE

A indústria brasileira apresentou uma taxa média anual de crescimento de 3% entre 1992 e o ano passado, segundo divulgou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O crescimento acumulado no período foi de 34,36%. A economista do departamento de indústria do IBGE, Mariana Rebouças, disse que a taxa média anual "não pode ser considerada baixa, mas também não é suficiente para gerar novos postos de trabalho na indústria". A maior taxa média regional de crescimento anual da produção industrial no País no período foi registrada no Espírito Santo (4,49%). Segundo Mariana, a indústria capixaba tem sido beneficiada pela expansão da extração de petróleo no País desde os primeiros anos da década de 90, assim como o Rio de Janeiro, que também aumentou a produção acima da média (4,52%). A indústria paulista, ao contrário, apresentou taxa média anual de 2,27%, abaixo da média nacional. Mariana explicou que isso ocorreu porque o parque industrial do Estado conta com forte peso do complexo metal-mecânico, de bens duráveis e que dependem de crédito. "A indústria paulista é muito diversificada, tem forte peso de bens duráveis e portanto é mais sensível a crises econômicas e às altas nos juros que ocorreram a partir da metade da década de 90", disse. Produção de petróleo impulsionou RJ e ESO crescimento da produção de petróleo foi o principal fator a impulsionar as indústrias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que lideraram o crescimento da produção industrial no País em 2002, segundo destacou a economista Mariana Rebouças. A indústria capixaba cresceu 12,9% no ano passado, com "contribuição decisiva" da indústria extrativa mineral (21,3%). O Rio de Janeiro apresentou o segundo melhor resultado anual, com expansão de 10,1%, também impulsionada pela extrativa mineral, que cresceu 15,2% no ano. Mariana salientou também que a indústria de transformação fluminense apresentou em 2002 a primeira taxa anual positiva (4,1%), após sete anos consecutivos de queda. O bom desempenho foi puxado pelas indústrias química e metalúrgica, com produtos voltados para exportação. Demanda interna leva a crescimento no quarto trimestreA produção industrial de São Paulo registrou significativa expansão no quarto trimestre do ano passado, sob impacto de "algum aquecimento" da demanda interna, segundo ressaltou a economista do departamento de indústria do IBGE, Mariana Rebouças. O Estado, que registrou queda de 1,1% da produção no acumulado do ano, passou de uma redução de -3,2% no terceiro trimestre para uma expansão de 4,5% no quarto trimestre, na comparação com igual período do ano anterior. Segundo Mariana, essa reversão no processo de queda ocorreu devido à melhoria do desempenho do complexo metal-mecânico, que representa quase 50% da produção no Estado. A indústria de material de transporte, que inclui a indústria automobilística, passou de uma queda de 2,3% no terceiro trimestre para uma expansão de 18,8% no quarto. A metalurgia, impulsionada especialmente pelas vendas para o segmento automobilístico, cresceu 15,6% no quarto trimestre, ante redução de 3,1% no terceiro. "A recuperação da indústria paulista no final do ano passado ocorreu por causa de um aumento de demanda interna, mas o desempenho nos próximos meses vai depender do fôlego dessa demanda", disse Mariana.

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