Indústria critica alta da Selic e fala em 'vírus da inflação'

Para CNI, intensificação do aperto monetário resultará em maiores danos ao crescimento econômico

Da Redação,

23 de julho de 2008 | 20h01

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, informou nesta quarta-feira, 23, que desaprova a elevação de 0,75 ponto da taxa básica de juros, a Selic (agora em 13% ao an), decidida nesta noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom).   Veja também: Copom surpreende e eleva a taxa de juros em 0,75 ponto Juro maior é ineficiente sem corte de gastos, diz Fecomércio   Em nota, o presidente da CNI destaca: "Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços. A alteração dessa postura, com a intensificação do aperto monetário, resultará em maiores danos ao próprio processo de crescimento econômico."   Ainda na nota, Monteiro Neto diz que o Banco Central deveria esperar pelas naturais defasagens dos impactos da política monetária restritiva. "A idéia de acelerar o movimento de redução do consumo das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não irá gerar os benefícios desejados, uma vez que muito da inflação é originada globalmente, dado o aumento dos preços internacionais dos alimentos", avaliou.   A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a decisão. Em nota, a entidade afirma que "no desentendimento entre as políticas monetária e fiscal do governo quem sofre são os menos favorecidos. Para combater o vírus da inflação não se pode usar um único tratamento, há outros antídotos que não apenas a alta de juros que impede o crescimento, gera desemprego e prejudica a sociedade".   "O impulso inflacionário que a economia do Brasil vive neste momento é conseqüência de um vírus, importado, que adoece nações em todo o mundo. Não podemos, porém, ignorar o perigo de que se torne uma epidemia em nosso País", continuou a nota.   A entidade afirmou que, apesar de defender o combate à inflação, acredita que seria mais eficaz se a gestão das políticas monetária e fiscal fossem compartilhadas. "O que, infelizmente, não é realidade", disse.   "Temos, desta forma, um quadro surreal de política econômica, cujo resultado é uma taxa de juros muito elevada, vitimando a sociedade com prejuízos imediatos. Um exemplo disso, está na sobrevalorização da taxa de câmbio que, cada vez mais, compromete a competitividade do produto brasileiro", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Ele questionou ainda "de que adianta subir os juros, se o governo não controla os gastos públicos".

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