Indústria da moda cobra incentivos

Indústria da moda cobra incentivos

Empresários e estilistas reunidos no Fórum Negócios da Moda esperam por medidas que estimulem a produção e gerem empregos

CLEY SCHOLZ , MARIA RITA ALONSO, Especial para O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h11

Inovação, modelo de negócios, produtividade e custo da cadeia têxtil dominaram os debates durante o Fórum Negócios da Moda promovido pelo Grupo Estado em parceria com a Federação do Comércio de São Paulo. Empresários e estilistas presentes manifestaram posições de consenso sobre a necessidade de reivindicar uma política que incentive a capacidade de competição do produto nacional.

Responsável pela geração de 8 milhões de empregos diretos e indiretos, a cadeia têxtil vem perdendo espaço para os produtos importados, especialmente asiáticos. Apesar do dólar em alta, os brasileiros continuam comprando vestuário no exterior, onde os preços são mais baratos por causa da elevada carga tributária nacional.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), os brasileiros trouxeram do exterior cerca de R$ 12 bilhões em 2013, ou 60 mil toneladas. "O Brasil precisa de um regime tributário competitivo, é uma questão de sobrevivência em um mercado globalizado", afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit.

O presidente do Conselho de Administração da Abit, Rafael Cervone Netto, destacou que o momento é oportuno para debater essa indústria. "Há anos não se via uma situação tão hostil para os negócios", afirmou, citando as amarras trabalhistas e tributárias como principais entraves para o mercado.

O setor têxtil antes das eleições entregou uma pauta de reivindicações para todos os candidatos. Agora, na opinião dos empresários, o momento é de aproveitar o aceno da presidente reeleita Dilma Rousseff, que propôs o diálogo com o setor produtivo, para cobrar medidas de incentivo à produção.

Comparação. O presidente executivo da Riachuelo, Flávio Rocha, lembrou a pesquisa recente feita pelo banco BTG Pactual que comparou os preços da grife Zara em 22 países, e constatou que os produtos nacionais são os mais caros do mundo. A comparação de vários itens do vestuário concluiu que os preços no Brasil são em média 21,5% maiores do que os praticados nos Estados Unidos.

Isso explica, segundo Paulo Borges, responsável pela São Paulo fashion Week, o crescente volume de compras de brasileiros no exterior. Só em setembro, foram S$ 2,4 bilhões gastos no exterior, segundo dados do Banco Central.

"É urgente criar condições para alavancar o setor e torná-lo mais competitivo", diz Rocha.

Paulo Delgado, membro do Conselho de Relações do Trabalho da Fecomércio, defende que o governo deveria estimular formas de resolução de conflitos entre empregadores e trabalhadores. Ele disse que a justiça tributária está sobrecarregada e que as empresas são impedidas de criar mecanismos de negociação coletiva.

Apesar dos obstáculos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) vê boas perspectivas para as marcas brasileiras. Uma pesquisa feita em 16 países revelou que a imagem do Brasil no exterior é de "vivacidade e alegria", informou Isabel Tarisse da Fontoura, gestora de projetos setoriais de promoção de exportação do setor de moda da Apex-Brasil.

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