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Indústria da música imita piratas digitais

Gravadoras querem lançar serviço de download ?gratuito? e ilimitado

Eric Pfanner, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Depois de anos de esforços inúteis para impedir os piratas digitais de copiar a sua música, a indústria fonográfica começou a copiar os piratas. De acordo com executivos do setor, este ano serão lançados serviços que oferecem aos usuários da internet e de celulares acesso ilimitado e "gratuito" a milhões de músicas. Diferente do compartilhamento ilegal de arquivos na rede, que provoca perdas em bilhões de dólares segundo a indústria, as novas ofertas são perfeitamente legais. Os serviços não são verdadeiramente gratuitos, mas o pagamento é incluído no custo de um novo telefone celular ou na mensalidade da internet, por exemplo. E esses serviços proporcionam receita às empresas musicais, ao contrário dos sites de pirataria. "O ano de 2009 marca a data em que a indústria parou de se preocupar e aprendeu a gostar da internet", disse Feargal Sharkey, ex-músico punk que hoje chefia a UK Music, um grupo comercial da indústria fonográfica britânica. Antes, a indústria insistia para que sites de música digital vendessem as canções uma a uma, como faz o iTunes, da Apple, ou por meio de assinaturas de serviços que não permitem manter cópias das faixas.Mas ao longo do ano passado, muitos na indústria se convenceram de que tais ofertas jamais poderão substituir a receita das vendas de CDs, em queda abrupta há anos. "As vendas mundiais de música caíram cerca de 7% no último ano", disse John Kennedy, diretor executivo da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). Ao mesmo tempo, o crescimento na quantidade de músicas baixadas no iTunes - maior loja de música digital - foi interrompido.Provavelmente, o serviço de maior destaque que oferece downloads ilimitados é o Comes With Music, inaugurado na Grã-Bretanha ano passado pela Nokia, a maior fabricante mundial de telefones celulares. O serviço permite baixar quantidade ilimitada de músicas a partir de um catálogo com mais de cinco milhões de faixas, para quem adquire certos modelos de telefones Nokia. Tero Ojanpera, encarregado do desenvolvimento de serviços de entretenimento do fabricante, disse numa conferência da indústria em Cannes que o Comes With Music seria estendido para a Austrália e Cingapura no primeiro trimestre do ano, e para outros países europeus ao longo de 2009.Outros serviços de downloads ilimitados vêm sendo propostos por provedores de internet, empresas que são consideradas essenciais pela indústria fonográfica para coibir a pirataria porque têm relacionamento direto com os internautas. A provedora dinamarquesa TDC já oferece downloads ilimitados como parte do seu pacote de assinatura de banda larga. Outras empresas de banda larga europeias preparam o lançamento de serviços parecidos. Há ainda alternativas mais revolucionárias sendo propostas que obrigariam os assinantes de banda larga a pagar uma taxa mensal em troca da liberdade para fazer downloads livremente, mesmo em redes de troca de arquivos. As empresas fonográficas já desprezaram acordos deste tipo no passado, mas mostram uma nova flexibilidade para licenciar seu material, já que a própria existência delas está ameaçada. A França está prestes a aprovar uma lei que exige dos provedores que desliguem a conexão de usuários que infringirem sistematicamente as leis direitos autorais. A Grã-Bretanha, por outro lado, ameaçou introduzir uma nova legislação caso as medidas voluntárias de combate à pirataria por parte dos provedores se mostrem ineficazes. Executivos da indústria fonográfica e Nicholas Lansman, secretário-geral da Associação de Provedores da Grã-Bretanha, estão confiantes em logo obter um acordo de licenciamento que disponibilize serviços musicais ilimitados. Os fabricantes de celulares, por sua vez, estão ansiosos para acrescentar serviços musicais aos seus pacotes conforme esquenta a guerra dos smartphones entre empresas como a Nokia, Apple e BlackBerry.

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