Indústria de alimentos prevê retomada da produção

O ano começou com produção baixa para a indústria de alimentos, mas a previsão do setor é de que os negócios melhorem a partir deste mês. Os motivos para o otimismo são vários, como a previsão de safra recorde, estimada em 100,5 milhões de toneladas pela Conab, a expectativa de exportações pelo menos 30% maiores este ano - especialmente no segmento de carnes -, e o fim do racionamento de energia.Com essas previsões na mão, a indústria alimentícia não ficou alarmada com os dados de produção dos dois primeiros meses de 2002. A Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia) apurou queda de 1,5% na produção de alimentos em janeiro, segundo levantamentos preliminares. Mas a entidade alerta que a comparação fica prejudicada porque a indústria operou a todo vapor no início de 2001 e bateu recorde ao exibir acréscimo de 7,7% em janeiro, comparado a 2000.Além disso, janeiro é reconhecido historicamente como um mês de fraco desempenho pelos fabricantes, tendo em vista que os pedidos minguam por conta das férias e estoques remanecentes do Natal.O resultado de fevereiro, aponta o levantamento, ainda em fase de compilação de dados, não deverá fugir muito do primeiro mês de 2002, podendo, na pior das hipóteses, estabilizar a queda. A partir daí, no entanto, deve começar a boa fase.O economista da Abia, Dênis Ribeiro, projeta aumento real na produção este ano em torno de 3% sobre 2001. No ano passado, as indústrias fecharam com alta de 2,88% no volume produzido e receita de R$ 111,8 bilhões. Deste montante, R$ 24 bilhões foram das exportações, que devem manter a força. "As vendas externas seguirão firmes", prevê Ribeiro.Ele ressalta que o setor de agronegócios deverá se sobressair com resultados muito favoráveis no mercado internacional por causa dos mercados que têm conquistado. "As missões européias que estão no País e a brasileira que estará em Londres no dia 14 acenam a favor dos negócios", afirma.Ribeiro refere-se à missão européia que irá avaliar as condições sanitárias dos suínos brasileiros. Se o sinal for positivo, serão liberadas as importações pelos países do bloco econômico, suspensas há 26 anos.O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, desembarca na Inglaterra na próxima semana com uma comitiva, inclusive com a presença do presidente da Abia, Edmundo Klotz, para uma turnê de palestras sobre as possibilidades de agronegócios entre Brasil e outros mercados.A comitiva deve visitar até o final de março a capital londrina, além das chinesas Xangai e Pequim e fazer uma escala na Índia.O aquecimento do mercado externo para as companhias alimentícias foi atestado por números divulgados pelas companhias recentemente. A Perdigão elevou a receita de vendas externas em 102% sobre 2000, para R$ 1,03 bilhão, com previsão de evolução de 15% em 2002. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) só em janeiro as exportações da Perdigão cresceram 136%, para US$ 25,140 milhões.A Seara caminhou no mesmo sentido no ano passado. A receita bruta da companhia subiu 38,8% no passado, somando R$ 1 373 bilhão - 63% desse total foram provenientes das vendas externas. Em janeiro de 2002, foram exportados US$ 22,1 milhões, 24,35% a mais que em janeiro de 2001.O frigorífico Bertin, líder em exportações de carne bovina, aumentou em 18,7% a receita de exportações no primeiro mês de 2002, ao atingir US$ 30,7 milhões. A Frangosul alcançou US$ 23,8 milhões, o que significou alta de 83,86% comparada ao mesmo período do ano passado.

Agencia Estado,

08 de março de 2002 | 17h17

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