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Indústria de alimentos volta a tomar crédito do BNDES

Os fabricantes de alimentos retomaram a confiança nos últimos dois meses e voltaram a investir por meio das linhas de crédito oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES). Depois de uma queda de 21,4% no acumulado de janeiro a agosto, o valor desembolsado pelo banco nos últimos dez meses encostou no volume emprestado ao setor no mesmo período do ano passado, com apenas 1% de diferença, chegando a R$ 1,75 bilhão.O gerente de estudos de agroindústria do BNDES, Paulo Faveret, explica que 90% das empresas da área de alimentos que operam com linha de financiamento do banco são exportadoras de carne. Os empréstimos oscilam conforme a demanda dos pedidos externos, segundo ele.ExportaçõesUm exemplo é o Frigorífico Bertin, maior exportador de carne bovina, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A companhia, instalada em Lins, interior do Estado de São Paulo, acaba de tomar uma linha de crédito de R$ 6,97 milhões do BNDES para terminar a construção de uma unidade fabril que terá toda a produção escoada para os Estados Unidos. A previsão é de um volume mensal da ordem de 550 toneladas de carnes desidratadas e defumadas (jerked beef).Outro indício de que a demanda no mercado externo vem se recuperando são os números do terceiro trimestre de Sadia e Perdigão. Ambas contavam com queda de vendas externas no final do primeiro semestre e início do seguinte por conta dos altos estoques mundiais. Mas a situação melhorou a partir de agosto.A Sadia, por exemplo, bateu recorde histórico nas exportações no terceiro trimestre do ano sobre os meses de julho a setembro de 2001, crescendo 48,9% na receita e 42,4% em volume, de forma que os embarques responderam por 47% de seu faturamento bruto. Para a Perdigão as vendas no mercado externo aumentaram 16,7% em volume sobre mesmo período do ano passado e representaram 44% do faturamento.Os números divulgados pelo BNDES apontam que dos R$ 14,17 bilhões destinados à indústria brasileira entre os meses de janeiro e outubro deste ano, 12,3% foram absorvidos pelo setor de alimentos, o segundo que mais recorreu às linhas de financiamento. Em primeiro no ranking de indústrias está a categoria ?outros equipamentos de transportes?, que lidera com R$ 6,11 bilhões, alta de 124% comparado aos mesmos meses de 2001.Mantendo o ritmoApesar de o setor alimentício voltar a tomar dinheiro do BNDES, segundo Faveret, dificilmente o volume financiado deverá empatar com os R$ 2,233 bilhões, recorde histórico obtido no ano passado, contra R$ 1,331 bilhão em 2000. "A demanda do setor por empréstimos do BNDES no próximo ano deverá manter o ritmo atual", aposta José Milton Dallari, da Decisão Consultores Associados Ltda. "O ano de 2003 será levado em banho-maria", prevê o consultor de indústria e varejo, considerando que a política do novo governo ainda demandará tempo, mesmo que o Projeto Fome Zero seja implantado. Estudo realizado pela Decisão indica que o setor opera, em média, com ociosidade de 20%. "A demanda pode crescer porque existe espaço para a indústria produzir sem ter que investir", conclui. Em sua opinião, o rumo dos financiamentos só será alterado "caso haja explosão da demanda". ?Ainda assim a indústria alimentícia terá condições de atender o mercado", garante.Ele não enxerga no mercado interno motivo para as indústrias de alimentos alavancarem grandes investimentos que possam superar os de 2002. Ele acredita que se houver incremento em 2003 virá do mercado externo. Leia mais sobre o setor de Alimentos e Bebidas no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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