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Indústria de automóveis atingiu 'fundo do poço', mas irá melhorar no 2º semestre, diz Anfavea

Segundo o presidente da Anfavea, produção de veículos crescerá 13,2% no segundo semestre, período que terá oito dias úteis a mais que o primeiro

Álvaro Campos, Agência Estado

21 de julho de 2014 | 10h29

SÃO PAULO - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse, durante o seminário Revisão das Perspectivas 2014, promovido pela Autodata, que a indústria automobilística brasileira já atingiu o "fundo do poço" e que a situação deve melhorar bastante no segundo semestre.

Segundo ele, a produção de veículos crescerá 13,2% no segundo semestre deste ano ante o primeiro semestre, sendo que as exportações avançarão 36,9% e as vendas internas, 14,3%. Já a produção de máquinas agrícolas deve registrar expansão de 15,3% no segundo semestre, com alta nas exportações de 12,1% e crescimento nas vendas 21,9%. Moan explicou os motivos para esse otimismo, citando que o segundo semestre terá oito dias úteis a mais que o primeiro. Além disso, sazonalmente as vendas sempre melhoram na segunda metade do ano.

O executivo também mencionou a manutenção da alíquota reduzida do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e o programa de sustentação dos investimentos (PSI) do BNDES. Moan explicou que nos últimos anos, após problemas causadas pela crise financeira internacional, os bancos brasileiros se tornaram mais seletivos na concessão de financiamento para automóveis. Mas ele vê uma mudança nesse cenário, citando que a inadimplência já caiu para 5% e que a Anfavea vem conversando com o governo sobre possíveis mudanças na legislação, que atualmente "premia o inadimplente". 

'Surpresa positiva'. - O presidente da Anfavea disse que julho trará uma "surpresa positiva" para o setor automotivo. Segundo ele, as exportações para a Argentina estão melhorando e devem ficar em 34 mil unidades por mês, em média, até o fim do ano. "É um número adequado, considerando a nova realidade do mercado argentino, que deve encolher entre 20% e 25% este ano".

Moan também comentou que, após as negociações entre os governos brasileiro e argentino, da qual o setor privado nacional também participou, as exportações para o país vizinho cresceram, passando de uma média de 24 mil unidades por mês no início do ano para quase 35 mil nos últimos meses, apesar de alguns fatores atípicos. 

Mesmo assim, ele acredita que as montadoras devem manter por mais alguns meses medidas de ajuste, como férias coletivas e lay-offs. "A produção depende do ritmo de vendas e estoques, e os estoques ainda estão muito elevados, em 45 dias", comentou. 

Segundo Moan, o setor continua conversando com governo e bancos para flexibilizar as regras de retomadas de veículos em caso de inadimplência no financiamento. Questionado sobre um prazo para anunciar tais medidas, o executivo afirmou que não importa se vai demorar mais um ou dois anos. "O importante é que os instrumentos sejam colocados", afirmou, acrescentando que essas medidas, que podem estimular a concessão de crédito, também são de interesse dos bancos. "Eles estão junto conosco". 

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