Indústria de bens de capital opera no nível mais baixo desde 2006

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Indústria de bens de capital opera no nível mais baixo desde 2006

A produção nas fábricas de máquinas e equipamentos, que funciona como termômetro da disposição das empresas em geral de investir, caiu 23,6% neste ano em comparação a 2014, num sinal de que a economia ainda vai demorar a reagir

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2015 | 05h00

A indústria de bens de capital está operando no nível mais baixo desde 2006. Entre janeiro e setembro, o nível da produção apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 79,2, uma queda de 23,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O setor é considerado o coração da indústria e um termômetro de como está o investimento do País. No melhor momento, o nível de produção chegou a 113,5 nos nove primeiros meses de 2013 (ver quadro).

A forte redução na atividade de bens de capital pode ser explicada pela piora do quadro da economia brasileira – a recessão deste ano deverá ser a mais intensa desde 1990 – e, em especial, pela forte queda da confiança das empresas e das famílias, o que adia a realização dos investimentos e a demanda por máquinas e equipamentos. “A deterioração da atividade econômica ocorre como um todo. Setores demandantes (de bens de capital) como a indústria geral e a construção estão tendo resultados muito ruins”, afirma Felipe Beraldi, analista de bens de capital da Tendências Consultoria Integrada.

Outros números do setor também dão a dimensão da crise. Em setembro, a queda na carteira de pedidos foi de 24,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “A expectativa para este ano é péssima. O setor deve ter uma queda de 15% na produção comparada com o ano passado”, afirma Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq.

Crise sem fim. Para as empresas, a crise parece interminável. Na Omel Bombas e Compressores, 40 trabalhadores já foram demitidos este ano. Hoje, a empresa tem 140 funcionários. “Este ano e 2016 vão ser extremamente difíceis. Estamos vivendo praticamente o dia a dia. Não conseguimos fazer caixa nem podemos fazer planos de investimento de longo prazo”, diz Conrrado Vallo, um dos sócios da empresa.

A falta de perspectiva dos empresários fica evidente pelo baixo nível de utilização da capacidade instalada. Os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o porcentual de utilização médio do setor de máquinas e equipamentos foi de 58% em outubro – o patamar mais baixo da série histórica iniciada em 2011.

“Como o empresário vai investir sabendo que a sua empresa tem excesso de capacidade para produzir ou o maquinário que ele tem dá e sobra para abastecer o mercado?”, pergunta Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Tudo o que sabemos sobre:
IBGECNI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.