Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Indústria de eletroeletrônicos aumenta produção em 9,6% para Black Friday e Natal

Associação de fabricantes diz que, com disparada do dólar, preços podem subir no ano que vem, em razão do custo mais elevado dos componentes importados

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2019 | 13h59

O comércio varejista apostou pesado na venda de eletroeletrônicos para a Black Friday, nesta sexta-feira, 29, e o Natal. Depois de um período de consumo reprimido desses produtos por causa crise e agora com a alta do dólar, que pode deixar os eletroeletrônicos mais caros no começo do ano que vem, a indústria produziu para as duas datas um volume 9,6% maior no terceiro trimestre deste ano do que no mesmo período de 2018, segundo levantamento da Eletros, associação que reúne os fabricantes do setor.

Como os estoques da indústria  estão cada vez mais enxutos, a produção praticamente equivale ao que foi vendido para as lojas. O grande destaque do terceiro trimestre foi a produção de eletroportáteis, que cresceu 29,4% na comparação anual - na categoria se incluem liquidificadores e ventiladores, por exemplo. Na sequência aparecem eletrodomésticos de grande porte (linha branca), com alta de 8,8%, e a linha de áudio e vídeo, com avanço de 2,28% no período.

Segundo o presidente da Eletros,  José Jorge do Nascimento Júnior, os lojistas apostaram fortemente nos eletroportáteis, pois são itens  mais baratos. “São produtos de fácil acesso e, com o cenário de crise dos últimos anos, os consumidores têm optado mais por eletroportáteis.”

Nascimento Júnior explica que os eletroeletrônicos produzidos para o fim de ano levam componentes importados que foram comprados com dólar abaixo de R$ 4. Agora, com a disparada do câmbio, que tem passado de R$ 4,20 nos últimos dias, o preço dos eletroeletrônicos poderá subir no ano que vem em razão de custos mais elevados de componentes importados, se o dólar se estabilizar nesse novo patamar, prevê.

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Neste ano, de janeiro a setembro, a produção da indústria acumulou alta de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado. “Todo crescimento é bem-vindo. Ele mostra uma tendência de recuperação”, diz o presidente da Eletros. Mas ele pondera que a base de comparação ainda é fraca e, mesmo com esse avanço, a produção da linha branca está abaixo do período anterior à crise, 2010 e 2012.

Para 2020, Nascimento Júnior diz que as expectativas são favoráveis, mas admite que a alta do câmbio traz incertezas. “Reforma tributária e abertura comercial também são no cenário atual os pontos de maior sensibilidade para o desenvolvimento do setor.”

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