Indústria de fertilizantes está otimista com forte demanda global

A Vale deve investir US$ 12 bilhões nos próximos sete a dez anos para impulsionar a produção de fertilizantes dos 10 milhões de toneladas atuais para cerca de 26 milhões de toneladas

Filipe Domingues, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 14h46

As companhias de fertilizantes estão otimistas com a crescente demanda global pelos produtos, que parece crescer de 2% a 3% por ano. Um dos principais investidores no setor é a mineradora brasileira Vale, que espera despender US$ 12 bilhões nos próximos sete a dez anos para impulsionar a produção de fertilizantes dos 10 milhões de toneladas atuais para cerca de 26 milhões de toneladas. "Acreditamos que será um grande negócio", disse o gerente geral de comércio e vendas globais, Edson Souki, em uma conferência realizada ontem em Lima.

Os fundamentos são sólidos, segundo Souki, e incluem o forte crescimento da renda nos mercados emergentes, a urbanização e a consequente pressão sobre a terra disponível para cultivo. Os três pilares da indústria de fertilizantes são potássio, nitrogênio (originado na amônia e na ureia) e fósforo. O maior risco para a indústria é a volatilidade dos preços, segundo autoridades da indústria. Outra grande dúvida está no mercado chinês, ainda muito desconhecido.

O vice-presidente de marketing da Canpotex na América Latina, Max de Armendi, maior distribuidora global de potássio, comentou que 2010 foi um ano de "recuperação" da indústria. Para ele, o futuro é "positivo", pois a demanda média por potássio deve crescer 9% anualmente no curto prazo. A Canpotex pertence à Agrium, à Mosaic e à Potash.

Armendi acrescentou que o otimismo para os fertilizantes se baseia na demanda crescente por proteína animal de alta qualidade e por óleos vegetais. Outros fatores impulsionam a demanda, como o aumento do consumo de alimentos na China e na Índia, assim como as necessidades do setor de biocombustíveis.

"A produtividade das safras precisa crescer", disse Armendi, citando a previsão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de que a demanda aumentará 1,5% por ano, nos próximos 30 anos.

O analista Andy Jung, da unidade de pesquisa em commodities CRU, descreveu a China como "um monstro de consumo", mas ponderou que representa uma quantidade "desconhecida" de demanda, pois decisões tarifárias controlam o mercado. Elas visam a manter os fertilizantes no mercado interno ou enviá-los à exportação, conforme for mais conveniente. Jung comentou que a elevação dos preços dos alimentos chegou para ficar, mas a flutuação de preços deve favorecer a indústria de fertilizantes.

Perguntado sobre o cenário de curto prazo para os preços dos alimentos, Patrick Heffer, da Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes, afirmou que a alta deve continuar "pelo menos até abril ou maio", quando começar a temporada de plantio 2011 no Hemisfério Norte. Depois disso, ele avalia que os preços dependerão das condições climáticas e dos prospectos de produtividade.

James Mann, do grupo Farmers of North America, que representa cerca de 20 mil produtores, alertou que, se as margens de lucro do agricultor forem comprimidas pela elevação dos preços dos fertilizantes, a motivação dos produtores familiares para o cultivo de alimentos pode ser prejudicada. Segundo Mann, a agricultura familiar representa 90% do total no mundo. As informações são da Dow Jones.

 

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