Indústria de máquinas espera 1º tri ‘muito ruim’ e fala em demissões

Redução de encomendas aponta para queda forte no faturamento do setor nos próximos meses

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado,

30 de novembro de 2011 | 16h29

A queda de 5,8% no faturamento da indústria de bens de capital em outubro na comparação com setembro já é reflexo do recuo no número de encomendas no mês passado, que caíram 19,8% ante outubro de 2010. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, prevê uma queda ainda maior no faturamento dos próximos meses por conta da redução de encomendas. "O nível da carteira de pedidos está pior do que o patamar verificado em 2009, ano de reflexo na economia brasileira da crise financeira mundial (de 2008)", afirmou Aubert Neto. "Sem dúvida nenhuma, no primeiro trimestre de 2012, os números serão muito piores", acrescentou.

De acordo com Aubert Neto, o reflexo na queda no número de pedidos e, consequentemente, na redução do faturamento, pode ocorrer também no nível de emprego do setor. Caso a demanda não suba nos próximos meses, 2012 pode começar com demissões. "Hoje, o emprego está mantido para atender à carteira de pedidos, mas se em 2012 não melhorar, vai haver demissões", afirmou. O assessor econômico da Abimaq, Mário Bernardini, relatou que a entidade mantém conversas semanais com o governo federal sobre medidas de proteção à indústria de bens de capital, mas ações concretas, segundo ele, não têm saído do papel. "O que nos preocupa é que o governo tem instrumentos para incentivar o consumo, mas o que o País precisa, a médio e longo prazos, é de incentivo para investimento."

A principal reivindicação do setor é a queda da taxa de juros básicos da economia, a Selic. Segundo o presidente da Abimaq, os gastos com juros e tributos da indústria brasileira consomem recursos que deveriam ser canalizados para investimentos. "Se somarmos o que o Brasil investe em educação, saúde e inovação não chega ao que pagamos de juros", disse. "O que precisamos resolver, primeiramente, é o que sangra o Brasil, que são os juros", disse. Ele pede também medidas de proteção à indústria nacional, como garantia de um câmbio favorável às exportações. 

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