Indústria de SP demite 17 mil trabalhadores em março, aponta Fiesp

No acumulado do ano, setor manufatureiro paulista fechou 23 mil vagas; segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mercado de trabalho deve encolher 5% em 2015

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2015 | 16h08

O nível de emprego na indústria paulista recuou 0,69% em março na comparação com fevereiro na série com exclusão das influências sazonais, mostra a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo calculado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em números absolutos, o setor demitiu 17 mil trabalhadores no mês passado.

Para os economistas da Fiesp, o resultado foi influenciado pela contratação abaixo da média por parte do setor sucroalcooleiro. "Em 2014, foram gerados mais de oito mil empregos no campo. Este ano só 1,4 mil. Portanto, não tivemos a parcela positiva de usinas de açúcar e álcool", avalia Paulo Francini, diretor do Depecon. Segundo ele, a situação atual, pela qual o setor passa, é muito ameaçadora para o emprego, "uma vez que há um número razoável de empresas em recuperação judicial".

Na leitura com ajuste sazonal, o emprego na indústria caiu 0,88% em março ante fevereiro. No acumulado do ano, o setor manufatureiro paulista fechou 23 mil vagas. Mas o número mais preocupante para as entidades é o fechamento de 173 mil postos de trabalho na indústria na comparação de março de 2014 com março de 2015. "Março comparativamente ao mesmo mês do ano passado teve 6,54% a menos de emprego. Um número muito ruim. E nos coloca na rota de um 2015 certamente negativo na geração de empregos na indústria de transformação", acrescenta Francini, que prevê um recuo de 5% para o mercado de trabalho na indústria paulista em neste ano.

Equipamentos. A indústria de máquinas e equipamentos foi a que mais demitiu em março, de acordo com a pesquisa da Fiesp. No total, foram fechadas 7.380 vagas em todo o Estado. "É um setor totalmente ligado a investimento, que, por sua vez, é uma crença no futuro e essa crença está muito débil atualmente", justifica Paulo Francini. "É necessário ganhar um novo espírito com relação ao futuro", diz o executivo.

No mês passado, as demissões na indústria chegaram a 18.423, mas uma pequena parte da cifra foi anulada pela contratação de 1.423 trabalhadores pelo setor de açúcar e álcool. Com isso, na média, a indústria dispensou cerca de 17 mil trabalhadores. Apesar de contratar, o setor sucroalcooleiro sinalizou um arrefecimento no mercado trabalhado se comparado com anos anteriores. "Em 2014, por exemplo, foram admitidos por usinas 8,6 mil trabalhadores", informou Francini.

No acumulado do ano, de janeiro a março, o emprego industrial já caiu 0,93%, na leitura sem ajuste sazonal. Este é o pior resultado da série histórica da pesquisa, com exceção dos resultados de 2009, quando o mercado de trabalhou encolheu 2,34% durante o mesmo período.

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