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Indústria de SP demite mais do que na crise financeira de 2009

Foram cortados 128,5 mil empregos em 2014; Paulo Francini, da Fiesp, prevê que o ajuste fiscal do governo e o aumento das tarifas devem dificultar a recuperação do setor em 2015

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2015 | 15h05

O nível de emprego da indústria paulista caiu 4,89% no ano passado, com 128,5 mil demissões, informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em dezembro ante novembro o indicador subiu 0,56%, na série com ajuste sazonal. Na mesma base de comparação, o Índice de Nível de Emprego caiu 1,59% na série sem ajuste sazonal. 

De acordo com o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, a situação do emprego industrial no ano passado foi pior que a de 2009, durante a crise financeira mundial, quando o setor manufatureiro registrou uma redução de 4,5% do índice. 

O economista da Fiesp alerta ainda que o cenário para este ano, com o esperado ajuste fiscal do governo e o aumento de tarifas, como a de energia, impacta nas estimativas de recuperação de indústria. "Entramos em 2015 com a indústria muito fragilizada e não vemos a menor possibilidade de 2015 ser um ano de recuperação como 2010 foi para 2009", afirmou Francini, ao analisar uma provável retomada dos empregos este ano.

Para o economista, o desemprego deve ser "o grande tema" deste ano e o salário real do trabalhador não deve apresentar crescimento significativo. "Há uma pressão em cima do gasto público e já houve a redução dos gastos por parte dos ministérios. E isso significa menos dinheiro sendo colocado na economia, enquanto a taxa de juros deve crescer ainda. Portanto, este é um ano em que a atividade econômica vai ser negativamente afetada", afirmou. Ele pondera que "todo ajuste não é agradável, mas é preciso". 

Em números absolutos, a indústria paulista teve um saldo de 40 mil demissões dezembro ante novembro. Dos 22 setores nos quais a Fiesp divide a indústria no Estado, 20 demitiram em dezembro, enquanto um contratou e um permaneceu estável. 

A indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias foi a que mais demitiu no ano passado, com 23.180 funcionários a menos. Já o setor de máquinas e equipamentos fechou 22.049 postos de trabalho no ano. Ao longo de 2014, o setor sucroalcooleiro demitiu 13.681 funcionários, o equivalente a uma perda de 8,5% durante o período.

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