Indústria de SP deve perder R$ 1,3 bi por mês com SPB

A indústria de transformação paulista vai perder R$ 1,294 bilhão por mês em capital de giro devido ao descasamento das operações de pagamento e recebimento, para valores acima de 5 mil reais, do novo Sistema de Pagamentos Brasileiros(SPB), que entra em vigor em 22 de abril, segundo estimativa divulgada hoje pela Federação das Indústria do Estado de São Paulo. O total da receita mensal da indústria paulista é de R$ 22,292 bilhões, divididos em R$ 13,7 bilhões das grandes empresas, R$ 5,3 bilhões das médias, R$ 1,86 bilhão das pequenas e 1,37 bilhão das micros. De acordo com o levantamento da Fiesp, o descasamento entre pagamento e recebimento provocará uma perda de R$ 991 milhões (7,2% da receita) em capital de giro nas grandes empresas. Nas médias, a perda de capital de giro será de R$ 242 milhões de reais (4,5% da receita).De acordo com Clarice Messer, diretora de pesquisas e estudos econômicos da entidade, a perda em capital de giro fará com que as empresas paguem R$ 1,3 milhão de reais a mais por mês a cada 1% de custo de crédito. "Por isso precisamos que os bancos aumentem as linhas de financiamento", afirmou Clarice. Segundo ela, a Fiesp entende que o SPB é positivo para a indústria e o País. "Só precisamos acirrar a concorrência bancária, para que os custos saiam e aumentem o crédito", disse.ConhecimentoCerca de seis em cada dez indústrias paulistas não sabem como funcionará o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), de acordo com pesquisa da Fiesp. A pesquisa mostra que 57% das empresas não têm conhecimento de como utilizar o novo sistema de pagamentos eletrônicos."Esse percentual de desconhecimento é muito elevado, mas comparado com agosto do ano passado, quando a Fiesp começou a divulgar entre os associados o SPB, aumentou muito o número das empresas que conhecem o sistema", afirmou Clarice Messer.Maior conhecimento do novo sistema acontece entre as grandes empresas. Nesse nível, 84% conhecem o novo SPB. Entre as médias, 61% já estão familiarizadas com o sistema. O índice cai para 33% nas pequenas e para 30% nas micro empresas.As empresas do setor têxtil são as que mais estão por dentro das novas regras, com 68% de conhecimento. As de material de transporte vêem logo a seguir, com 64%. As empresas do setor de mecânica são as que estão despreparadas para utilizar o SPB: apenas 31% delas conhecem o sistema. adaptaçãoO diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse não ter ficado surpreso com o resultado da pesquisa da Fiesp. Segundo ele, esta é a fase para que as empresas conheçam e se adaptem ao SPB. O dia 22 de abril, data do lançamento do SPB, será, na definição de Figueiredo, o "dia D" apenas para os bancos, pois haverá um prazo de seis meses de transição e adaptação ao novo sistema. Apenas a partir do quarto mês desse período de transição, as indústrias passarão a sofrer o impacto do SPB com o aumento de custos de operações com cheques e DOCs com valores iguais ou superiores a R$ 5 mil. O diretor do BC acredita que provavelmente haverá uma queda na taxa de juros na ponta do consumidor final a partir do SPB, já que haverá um volume de crédito disponível superior no sistema. Ele também garantiu que o custo das operações eletrônicas (transferência eletrônica disponível e transferência eletrônica agendada) será inferior aos valores atuais. Mas disse desconhecer os valores a serem cobrados pelos bancos. Segundo ele, a lógica do SPB e o aumento da concorrência a partir do novo sistema são as duas garantias de que essas operações serão mais baratas. Figueiredo, no entanto, descartou a possibilidade de que o BC venha a controlar, mesmo que temporariamente, o custo dessas operações.

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