Indústria de SP prevê alta em 2010, mas câmbio preocupa

Perspectiva positiva de crescimento da economia deverá levar o setor a se expandir 13% no próximo ano

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

26 de novembro de 2009 | 12h06

A perspectiva positiva de crescimento da economia para 2010, caso se confirme, deverá levar o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista a registrar uma expansão próxima a 13% em 2010 em relação a 2009. "Trata-se de um bom avanço, porém isso tem de ser analisado com cuidado. É preciso levar em consideração que a indústria foi o setor mais atingido pela crise. Como apresentou forte retração da produção, agora essa recuperação representa, em boa parte, resgate do que foi perdido", afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini.

 

Embora Francini destaque que em 2010 o horizonte para a indústria é favorável, num contexto de crescimento da economia que pode chegar a 5%, como apontam muito analistas, ele ressaltou que há uma "nuvem" que chama a atenção: a cotação valorizada do real ante o dólar. "O câmbio preocupa. Contudo, a instituição do IOF de 2% para investimentos estrangeiros em bolsa de valores e títulos públicos mostrou que o governo detectou que o câmbio é um problema. E as soluções só surgem quando são reconhecidos os problemas", comentou.

 

Francini apontou que um dos fatores evidentes que estimulam o ingresso vigoroso de capitais externos no País é a taxa Selic, que está em 8,75%. Mas ele ressaltou que o combate ao câmbio valorizado precisa ser feito pelo governo em várias frentes. "O ideal seria que as partes componentes do Conselho Monetário Nacional, os Ministérios do Planejamento e da Fazenda, mais o Banco Central, sentassem à mesa e definissem o que cada um pode fazer sobre esta questão", comentou.

 

"Alguém poderia dizer para o BC que os juros estão muito altos. Mas o BC poderia alegar que os juros estão em 8,75% porque os gastos do governo estão elevados. Então, alguém poderia também falar que seria necessário reduzir o PIS e a Cofins", disse, ressaltando que também caberia ao governo liberar os tributos cobrados indevidamente de exportadores, pois a Constituição define que não devem incidir impostos sobre as exportações.

 

Francini destacou que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor manufatureiro paulista atingiu 83,1% em outubro, o que é um patamar confortável que representa folga de produção para as empresas do ramo. Esse indicador é ainda inferior ao Nuci de 83,9% registrado no mesmo mês de 2008, quando o País começava a ser atingido com intensidade pelo credit crunch global. "Acredito que entre março e junho de 2010 o nível de produção da indústria paulista retornará ao patamar exibido antes do agravamento da crise no final ano passado", disse.

 

Outubro

 

O indicador de nível de atividade (INA) da indústria paulista subiu 1,6% em outubro ante setembro, com ajuste sazonal. O indicador apresentou elevação de 4,5%, na mesma base de comparação, sem levar em conta o ajuste sazonal, o que representa o melhor resultado de 2009 desde julho deste ano, quando houve uma alta de 4,7%, em base mensal.

Na comparação com outubro do ano passado, o INA sem ajuste registrou retração de 4,6%. No acumulado de janeiro a outubro de 2009, ocorreu uma queda de 11,6% em comparação com o mesmo período de 2008. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, o INA registra queda de 11,2%.

Nível de confiança

Na segunda quinzena de novembro, a confiança dos empresários do setor industrial paulista atingiu 55,1 pontos, de acordo com dados da Pesquisa Sensor, também divulgados hoje pela Fiesp. O resultado ficou um pouco abaixo dos 56,1 pontos apurados na primeira quinzena do mês.

Dos cinco itens que compõem a Pesquisa Sensor, o indicador Mercado atingiu 53,5 pontos na segunda quinzena de novembro, enquanto Vendas registrou 56,8 pontos. O item Estoque atingiu 53,1 pontos, Emprego registrou 57,4 pontos e Investimento marcou 54,6 pontos. Números acima de 50 pontos indicam otimismo entre os empresários. Os dados abaixo dessa marca representam pessimismo.

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