seu bolso

E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Indústria de transformação começa 2º trimestre com o pé no freio, diz FGV

Setor sofre com concorrência do mercado externo; índice de confiança caiu pelo 2º mês seguido

Renan Carreira, da Agência Estado,

30 de abril de 2013 | 13h32

SÃO PAULO - A indústria de transformação inicia o segundo trimestre do ano em desacelaração em relação ao trimestre anterior e em ritmo morno. A avaliação foi feita nesta terça-feira (30) pelo superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Aloisio Campelo, em análise dos dados da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgados mais cedo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A recuperação da indústria é lenta e com alguma desaceleração, sinalizando um começo morno de segundo trimestre para o setor", afirmou.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu pelo segundo mês consecutivo em abril, ao recuar 0,8%, na série com ajuste sazonal, na comparação com março, passando de 105,0 pontos para 104,2 pontos. Com isso, pela primeira vez desde agosto do ano passado, o ICI ficou abaixo da média histórica recente, de 104,4 pontos. Os subíndices que compõem o indicador também recuaram. O Índice da Situação Atual (ISA) teve baixa de 0,7%, para 103,5 pontos, abaixo da média histórica (105,6), e o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,9%, para 104,9 pontos, porém ainda acima da média histórica (103,1).

Campelo disse que a indústria de transformação brasileira sofre com o mercado externo, com desaceleração nos Estados Unidos e na Ásia e com as incertezas na Europa. Ele afirmou que a indústria também enfrenta competição interna. "O nível do câmbio, apesar de ter melhorado no ano passado, ainda não é suficiente para dar competitividade à indústria brasileira."

Outro fator citado por Campelo é que o custo unitário do trabalho tem aumentado acima da produtividade. "Isso faz com que o setor se torne menos competitivo e com rentabilidade menor."

Nível de demanda. O nível de demanda foi o quesito com maior influência na queda do ISA este mês. O indicador caiu 1,3% entre março e abril, para 100,3 pontos. Como exemplo, Campelo citou que 17,7% das empresas disseram que o nível de demanda externa está fraco. "É o número mais alto desde abril de 2011." Apenas 5,6% das empresas afirmaram que o nível de demanda externa está forte.

Sobre a situação atual dos negócios, Campelo disse que houve um bom momento em dezembro e janeiro, quando o porcentual de empresas que responderam que a situação era boa ficou acima de 25% (25,6% em dezembro e 26,3% em janeiro). No entanto, atualmente, de acordo com o economista, "há certa insatisfação com a situação geral dos negócios". O porcentual de empresas que disseram que a situação é boa passou de 24,6% em março para 21,7% em abril. O indicador ficou em 109,2 pontos, abaixo da média histórica recente de 111,9 pontos.

"Isso mostra que há insatisfação com o custo da mão de obra, que está pesando na determinação de rentabilidade das empresas. O mercado de trabalho segue pressionado, e as empresas não conseguem obter rentabilidade", afirmou Campelo.

Segundo ele, houve alívio com a desvalorização cambial ocorrida no ano passado, porém, disse o economista, a indústria não consegue achar espaço para ajustar seus preços em relação ao produto importado ou para competir fora do País. "O custo unitário do trabalho continua avançando. Por outro lado, a produtividade não tem aumentado."

No entanto, a situação futura dos negócios, que busca avaliar como estará o cenário daqui a seis meses, indica otimismo. Embora tenha apresentado queda, com recuo de 1,7% na passagem de março para abril, o indicador registrou 146,9 pontos, acima da média histórica recente, de 139,1 pontos. Campelo disse que há otimista principalmente para o setor de bens de capital.

Emprego. O quesito que mede as expectativas para o emprego foi determinante para a queda do IE. O indicador registrou 110,5 pontos, queda de 2% em relação a março. "É um ritmo de contratação fraco em níveis históricos, porém natural. A produção desacelerou mais fortemente que a contratação, portanto a indústria tenta ganhar produtividade." Campelo disse ainda que a situação dos estoques da indústria está normalizada. "A indústria aproveitou a virada do ano para trabalhar na normalização dos estoques."

Tudo o que sabemos sobre:
industriafgv

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.