Indústria destaca que alta do juro pode comprometer crescimento

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) , deputado Armando Monteiro (PTB-PE), disse hoje que a alta dos juros, confirmada pela decisão anunciada na noite desta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), pode comprometer o ambiente de crescimento vivido pelo País, "com impacto negativo para o crescimento futuro". "A indústria assiste, com preocupação, ao aprofundamento do aperto monetário em processo pelo Banco Central", disse Monteiro.Segundo ele, a indústria não vê ameaças do excesso de demanda da economia à estabilidade da inflação e entende que a recuperação da demanda doméstica é importante para solidificar a confiança necessária para a alavancar o investimento produtivo. "Essa é a condição necessária para o crescimento em bases permanentes. A alta, em seqüência, dos juros pode comprometer esse ambiente, com impacto negativo para o próprio crescimento futuro".O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, lamentou a decisão do Copom e enfatizou, em nota oficial, que "é preciso mais controle fiscal, menos alta de juros". Ele ressaltou que os dados do Tesouro Nacional indicam que as despesas tiveram crescimento real de 12,6% de janeiro a setembro de 2004, acima da expansão da receita que foi de 10,6% . "A decisão do Copom, mais uma vez, frustra a sociedade brasileira. O aumento da taxa Selic mantém os juros básicos do País em um dos mais altos patamares de todo o mundo", avaliou o dirigente da Fiesp.O presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Mário César de Camargo, também criticou o aumento da Selic, afirmando que a decisão "reforça o quanto é efêmero fazer planejamento empresarial responsável no Brasil. Com os juros altos, as empresas continuam enfrentando a concorrência do próprio governo na captação de crédito".

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