Indústria deve crescer 6% no ano, diz Mantega

Ministro da Fazenda acredita que expansão da produção industrial não vai acelerar a inflação

Adriana Fernandes e Isabel Sobral, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que a produção industrial neste ano deverá aumentar cerca de 6% e disse que o crescimento maior da indústria não resultará em inflação mais alta. Segundo ele, uma arrancada forte na produção industrial no fim deste ano já era esperada. Por isso, disse não ver com surpresa os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), que, na sua avaliação, são muito positivos. Os resultados superaram as previsões dos analistas e tiveram efeito no mercado de juros futuros. Os analistas passaram a apostar que o Copom vai manter a taxa Selic por um período maior de tempo. O ministro da Fazenda, no entanto, continua otimista quanto à inflação. "Temos de perder a mania de achar que um crescimento maior resulta necessariamente em inflação mais alta." Mantega avaliou que os preços industriais não estão contribuindo para elevar a inflação porque têm crescido em média 3% neste ano, abaixo da meta inflacionária. "Quem mais está contribuindo para alguma elevação de preços são os produtos agrícolas", disse, observando que a alta desses produtos decorre de uma "safrinha malsucedida", por falta de chuvas. "Feijão e outras leguminosas, que dependem de chuva, foram prejudicados." Ele reforçou, no entanto, a avaliação de que "a inflação não preocupa". E a expansão do uso da capacidade instalada da indústria também não traz risco de inflação. "A capacidade instalada tem se mantido elevada ao longo do ano, e isso não tem levado a uma inflação mais alta." O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que os dados da produção industrial, embora contenham um efeito sazonal de preparação das empresas para atendimento das vendas de fim de ano, mostram um crescimento bastante "robusto" da economia. Na avaliação de Coutinho, esse crescimento afasta preocupações de que possa haver desabastecimento ou desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos, o que poderia resultar em um aumento da inflação. "Não temos de ter preocupação porque a evolução dos preços no atacado é tranqüila", disse Coutinho. Ele avaliou que é possível o País conciliar um crescimento forte na economia com queda de juros. "Desde que haja uma clara ampliação de oferta, é perfeitamente possível a retomada do processo declinante de juros, mas não quero opinar sobre qual deveria ser a intensidade nem o timing para isso." Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, observou que a expansão da indústria está lastreada na alta do consumo interno. Ele argumentou que a partir do fim do ano e início de 2008 deverá haver redução normal no ritmo da indústria. "É um momento em que muitas empresas até dão férias coletivas, fazem reestruturação em suas fábricas, aproveitando a baixa natural do ritmo da economia."

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