Indústria deve crescer acima do PIB em 2007

Produção de veículos automotores como a principal influência positiva nos resultados da indústria

05 de dezembro de 2007 | 15h59

Este deve ser um ano de recordes para a indústria. Nesta quarta-feira, 5, mais um ótimo resultado foi anunciado. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial do País cresceu 2,8% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal (que considera os efeitos temporais). A expansão é a maior nesta base de comparação desde setembro de 2003 Para o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, o aquecimento da demanda interna tem puxado os resultados. Segundo ele, "há uma predominância de estímulos internos", como a ampliação do investimento, o aumento da oferta de crédito, a expansão da renda e do emprego. Ele destacou que a demanda doméstica é tal que até mesmo segmentos que vinham sendo castigados pela queda nas exportações e o aumento da concorrência dos importados, como os semiduráveis (têxteis e calçados), começam a mostrar sinais consistentes de reação. Ele destacou ainda a produção de veículos automotores como a principal influência positiva nos resultados da indústria. Em novembro, a produção desse setor cresceu 7% ante setembro e 29,5% na comparação com outubro do ano passado. Capacidade instalada O forte ritmo da atividade industrial fez com que a utilização da capacidade instalada do parque fabril brasileiro atingisse 82,8% em outubro, maior nível registrado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) pelo menos desde 2003. A CNI mede o indicador desde 1992, mas os dados anteriores a 2003 seguiam metodologia diferente e, por isso, não são comparáveis aos atuais. O maior uso da capacidade da indústria veio acompanhado do crescimento das horas trabalhadas, do emprego, da renda e das vendas. O número de horas trabalhadas na produção aumentou 0,8% em relação a setembro e 6,3% em comparação com outubro de 2006. O emprego subiu 0,5% em outubro ante setembro e 4,6% na comparação com outubro de 2006. No acumulado dos dez primeiros meses de 2007 a alta é de 3,7%. Já as remunerações pagas pela indústria aumentaram 5,4% em outubro ante outubro de 2006 e acumulam aumento de 5% nos dez primeiros meses de 2007. E ainda o faturamento teve alta de 0,3% e 8,2%, nas mesmas bases de comparação. Os números surpreenderam e aumentaram a expectativa da CNI, que espera que o quarto trimestre seja o melhor deste ano para a indústria. Investimentos O aumento do uso da capacidade produtiva, porém, alerta para a necessidade de novos investimentos para atender a demanda. Embora acenda a luz amarela, o economista da CNI Paulo Mol afirmou que o maior uso do parque industrial não teve, até agora, nenhum potencial inflacionário, já que não houve alteração nos preços industriais medidos pelo Índice de Preços por Atacado (IPA).  Ele destacou ainda que o setor tem feito investimentos fortes e disse acreditar que não existe ambiente propício para remarcação de preços, já que os produtos nacionais concorrem com os importados, que estão mais baratos por causa da valorização do real.  Perspectivas A previsão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é de um crescimento de 6% para a indústria em 2007. Já a CNI prevê um aumento em torno de 5%. Seja qual for o número, é certo que o crescimento da indústria fique acima do crescimento da economia do País, previsto melo mercado em 4,7%.

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