Indústria deve crescer em ritmo menor em 2011, diz CNI

A indústria brasileira terminou 2010 com uma performance mais moderada do que a que vinha sendo observada anteriormente, segundo sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta quinta-feira.

REUTERS

27 de janeiro de 2011 | 11h59

E a tendência para 2011 é a de um crescimento a um ritmo menor, segundo o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, Renato da Fonseca.

"Os dados mostram que a indústria perdeu ritmo no último trimestre. E a tendência para 2011 é essa, de um crescimento em ritmo menor", disse Fonseca.

O indicador da sondagem da CNI que mede a evolução da produção ficou em 44,7 pontos em dezembro, mostrando recuo em relação aos 52,7 pontos de novembro.

Como a taxa de dezembro é inferior a 50, isso indica queda da produção em relação ao mês anterior. Números entre 50 e 100, por outro lado, indicam evolução.

Segundo a CNI, a produção ficou negativa em apenas outro mês de 2010: em janeiro (49,2 pontos).

A evolução do emprego na indústria, porém, continua apontando alta, com índice de 52,2 pontos em dezembro, mas esse número é o menor dos últimos seis trimestres, o que, segundo a CNI, mostra arrefecimento.

Quando questionados sobre as expectativas para os próximos seis meses, os empresários disseram acreditar que a demanda continuará crescente. O componente que mede as projeções para a demanda do próximo semestre ficou em 58,1 pontos em janeiro, ante 55,2 pontos em dezembro.

Mesmo esse otimismo com relação ao futuro é menor do que o verificado em janeiro do ano passado. Segundo a CNI, a expectativa para a demanda nos seis meses seguintes a janeiro de 2010 estava em 62,9 pontos.

Para Fonseca, o aperto na política monetária que vem sendo promovido pelo governo "deve reduzir ainda mais o ritmo de crescimento."

Outro indicador de que está havendo arrefecimento no ritmo de expansão é a percepção dos empresários quanto à utilização da capacidade instalada de suas fábricas. Segundo a Sondagem, o uso da capacidade ficou "abaixo do usual para dezembro," aos 48,2 pontos --números abaixo de 50 mostram utilização abaixo do que é típico para o período.

A pesquisa da CNI foi feita junto a 1.518 empresas entre os dias 3 e 20 de janeiro.

(Reportagem de Leonardo Goy; Edição de Vanessa Stelzer)

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