Indústria deve demitir no segundo semestre, diz Fiesp

O segundo semestre será pior para a indústria do que o primeiro, com possível queda na produção e certamente com aumento das demissões, de acordo com previsão do diretor de competitividade industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mario Bernardini. "O mundo real está pior do que os indicadores mostram, a arrecadação de impostos, por exemplo, está caindo. A economia no segundo semestre estará ruim, com empresas demitindo. A coisa está feia", afirmou.As causas, de acordo com ele, são a baixa demanda, o crédito curto, a alta dos juros dos financiamentos e as quedas dos pedidos em carteira e das vendas. Será, segundo Bernardini, um segundo semestre muito "complicado, pessimista".A própria Fiesp está revendo as projeções de crescimento do PIB industrial, antes projetado para 2%, e já prevê que o emprego industrial dificilmente terminará 2002 no mesmo patamar de dezembro do ano passado. Bernardini acredita que isso poderá trazer pelo menos uma coisa boa: "Tenho a impressão de que daqui para a frente a economia tem chance de influenciar a política, e não o contrário, como vem ocorrendo há tempos". Por isso ele avalia que o candidato da Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) à presidência, Ciro Gomes, tem espaço para crescer nas pesquisas de intenção de voto. "Isso pode se refletir em dois movimentos: reforço do Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT) ou, mais possivelmente do Ciro, que já explicitou todas as mudanças que fará se ganhar", disse.De acordo com ele, uma eventual vitória de Ciro Gomes não desagradaria tanto a Fiesp, entidade em que muitos dirigentes têm suas expectativas políticas identificadas com a candidatura do tucano José Serra. "Ele (Ciro) tem espaço na Fiesp. Muitos empresários acham que ele é competente", revela. Para Bernardini, por conta do dólar em alta e da inflação que pode subir, justamente influenciada pelo dólar, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) pode não baixar os juros na reunião que acontece hoje e amanhã. "O Copom perdeu o timing de reduzir os juros, quando o ambiente econômico estava melhor. Agora é que não deve mesmo baixar", finaliza.

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