Indústria diverge sobre corte de 1 ponto na Selic

Para CNI, decisão do Copom foi positiva e está em sintonia com o que o País precisa; Fiesp discorda

Agência Estado,

10 de junho de 2009 | 20h31

As entidades que representam a indústria brasileira divergiram sobre o corte de um ponto porcentual na taxa básica de juros do País, a Selic, promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, 9. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou a decisão, enquanto para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a taxa, que está agora em 9,25% ao ano, continua "incompatível com o enfrentamento da crise".

 

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De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa, o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, "considerou positiva e em sintonia com o ajuste rápido e intenso de que o Brasil necessita" o corte da taxa de juros. Monteiro Neto lembrou ainda que a economia do País continua apresentando sinais desfavoráveis. "O resultado do PIB no primeiro trimestre divulgado ontem, apesar de melhor do que o esperado pelo mercado, mostra a extensão do forte impacto recessivo que o Brasil sofreu com a crise internacional", comentou.

 

O presidente da CNI lembrou que o investimento, "condição necessária para o crescimento sustentável", apresentou queda inédita de dois dígitos. "Os indicadores de produção e emprego da indústria ainda estão longe de apresentar um sinal de recuperação, demonstrando apenas que o ritmo de piora diminuiu", disse Monteiro Neto, para quem a constante desaceleração do IPCA mostra que ainda há espaço para um maior corte dos juros. "Nesse sentido, é importante que o Copom mantenha o ciclo de cortes na Selic, em suas próximas reuniões, de modo a permitir a normalização da situação da economia e o retorno ao crescimento", concluiu.

 

Também em nota, a Fiesp afirmou que, "apesar de finalmente chegar a um dígito", o juro básico de 9,25% ao ano ainda mantém o País com "taxa real superior a 5%, a mais elevada do mundo".

 

"Precisamos ter consciência de que o Brasil ainda não venceu a crise internacional. Portanto, é decisivo diminuir o custo do dinheiro para os setores produtivos e o mercado consumidor, estimulando a economia", salientou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, na nota.

 

Skaf ponderou ainda que a política de redução da Selic pelo Copom tem sido muito lenta e continua aquém da realidade. "Nada explica juros básicos superiores a 7% ao ano, o que já equivaleria a três pontos percentuais acima da inflação."

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