Indústria e comércio acham Selic positiva; sindicalistas reprovam

Para Contraf-CUT, apesar dos cortes anteriores da Selic, bancos continuam com juros e spreads entre os mais altos do mundo

Agência Estado,

28 de novembro de 2012 | 21h48

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 7,25% ao ano é decisiva para garantir a confiança e estimular os investimentos. Em nota, a confederação destaca que agora o desafio do País é ampliar o crédito e promover a redução dos custos dos empréstimos bancários. "A manutenção dos juros em um patamar reduzido é importante no cenário atual, em que não há riscos expressivos de alta da inflação e a recuperação da atividade produtiva ainda não se consolidou", cita a CNI.

Além disso, a confederação avalia que mantidos os juros básicos baixos, as ações da política de financiamento focar na queda dos custos dos empréstimos, na redução dos spreads bancários e na ampliação do crédito, permitindo que a queda dos juros básicos cheguem aos tomadores finais de recursos. "Essa é a vertente financeira da redução dos custos de produção, crucial à retomada do investimento e do crescimento sustentado", destaca a CNI.

Fecomercio-SP

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) a decisão do BC também é "acertada". Para a entidade, essa é a ação mais razoável no momento, uma vez que não haveria mais espaço para a redução de juros enquanto a inflação permanecer acima da meta, de 4,5%.

"As turbulências no cenário internacional somadas ao dólar pressionado com patamares próximos a R$ 2,10 corroboram para a coerência da manutenção da taxa básica de juros em 7,25% no atual cenário econômico", diz nota da entidade distribuída há pouco.

A Fecomercio ponderou, no entanto, que a situação do BC não é "das mais simples" já que terá de lidar com a necessidade simultânea de manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) controlado, reduzir o custo da dívida e estimular a economia do País, que cresce em ritmo lento.

A partir desse cenário, a expectativa da entidade é que o Banco Central não poderá mais reduzir a Selic e acredita que a taxa básica de juros tenha de subir em 2013. A Fecomercio projeta que a Selic atinja o patamar entre 8,5% e 9% em 2013.

Contraf-CUT

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), por ouro lado, avalia que a interrupção da redução da Selic "um equívoco" na medida em que haveria mais espaço para a queda dos juros básicos.

"Apesar dos cortes anteriores da Selic, os bancos continuam com juros e spreads entre os mais altos do mundo, travando e impedindo que a redução chegue de fato na ponta para as pessoas físicas e jurídicas", afirma a entidade, em nota. "Os bancos, como concessões públicas, precisam assumir o papel de contribuir com o desenvolvimento econômico e social do país. E não há dúvidas de que juros mais baixos são fundamentais para ampliar o crédito, incentivar a produção e o consumo, gerar mais empregos, distribuir renda, combater a miséria e garantir inclusão social", diz Carlos Cordeiro, presidente da entidade.

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