Indústria e comércio criticam manutenção da Selic

A principais entidades da indústria e do comércio do País criticaram hoje a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada esta noite de manter a taxa básica de juros Selic em 8,75% ao ano. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, considerou a decisão inadequada para a economia brasileira. "A inflação sob controle e a restrição do crédito bancário de origem privada justificam uma taxa de juros mais reduzida", disse Monteiro Neto. Segundo ele, a indústria continua preocupada com os efeitos da sobrevalorização do real, o que limita a retomada dos investimentos e retarda a recuperação do setor, comprometendo o emprego e a produtividade.

EQUIPE AE, Agencia Estado

09 de dezembro de 2009 | 20h51

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também avalia que há espaço para reduzir ainda mais a Selic, tendo em vista que a expectativa de inflação para 2010 está dentro da meta e que a maior parte dos países do mundo pratica hoje juros próximos de zero. "É um absurdo o Brasil voltar a ocupar a segunda colocação no ranking das maiores taxas de juros reais do mundo", afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

O setor de comércio considera a manutenção da Selic conservadora. "O ano termina com a taxa Selic em 8,75%. Ou seja, nada muda na política conservadora do Banco Central. Não era de se esperar um novo número para finalizar 2009", afirmou o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Abram Szajman.

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, no entanto, foi o único a elogiar o Copom. De acordo com ele, o BC tem acertado ao manter o equilíbrio da economia brasileira. "A decisão que ele tomou tem de ter um voto de confiança da sociedade", afirmou.

Para o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, a manutenção da taxa básica é "um erro estratégico". "Continuamos com uma taxa que asfixia a produção, inibe o consumo e, consequentemente, a abertura de novos postos de trabalho. É um erro estratégico, uma miopia econômica que, com certeza, irá causar um impacto negativo na economia do primeiro semestre de 2010", avaliou.

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