Indústria e comércio mostram otimismo apesar de crise externa

Empresários da indústria edo comércio começam o ano confiantes nas perspectivas do Brasilem 2008, após números fortes do último trimestre. A expectativa dos setores é de que o crescimento do empregoe da renda garantam a continuidade do aumento da demanda, mesmoem um cenário de provável arrefecimento do crédito e dasexportações por conta da crise externa. A atividade deve continuar com expansão significativa em2008, ainda que em ritmo menor que no ano passado, que setornou uma base elevada de comparação, segundo empresários. Aperspectiva de desaceleração já era consenso antes da crisenorte-americana e não foi agravada pela turbulência externa. "As autoridades norte-americanas fizeram medidas acertadas,mas elas demoram um tempo para surtir efeito. Portanto, nomomento em que o Brasil possa sentir algum impacto da crise, asmedidas estarão tendo efeito e o Brasil não será tãoimpactado", avaliou Christian Travassos, economista daFederação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro. Ele estima que as vendas no comércio do país cresçam 4,5por cento este ano. O dado de 2007 não está fechado, mas em 12meses até novembro as vendas subiram 9,2 por cento, de acordocom o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa trimestral da Confederação Nacional da Indústria(CNI) divulgada nesta terça-feira revela que as empresas dosetor fecharam 2007 com estoques abaixo do planejado, umreflexo do desempenho favorável das vendas. Foi a primeira vezem três anos que isso ocorreu. "Forma-se um cenário bastante promissor para a atividadeindustrial neste início de ano. Os estoques abaixo donecessário implicam necessidade de reposição, portanto, emmaior produção", afirmou a CNI. Para os próximos seis meses, os industriais revelaramotimismo com relação a demanda, número de empregados e comprade matérias-primas. No caso da demanda, o índice que mostra a percepção dosempresários ficou em 59,4 pontos (pontuação acima de 50 pontosindica otimismo), mesmo patamar de outubro. O ponto destoantefoi as exportações --a maioria das empresas previu redução nasvendas externas no período. CRÉDITO MENOR, MAS RENDA EM EXPANSÃO Segundo Sussumu Honda, presidente da Associação Brasileirados Supermercados (Abras), os riscos para o consumo brasileironeste ano incluem a crise internacional, mas principalmente apossibilidade de falta de energia e os problemas deinfra-estrutura do país. Ainda assim, o faturamento dos supermercados deve crescerentre 4 e 4,5 por cento --abaixo do recorde de 5,9 por centoregistrado em 2007, mas acima da média dos últimos anos. O volume de crédito no país tende a crescer a taxas maismodestas em 2008 após avançar 27,3 por cento no ano passado,segundo o Banco Central. A avaliação é de que, nos próximos meses, a turbulênciaexterna e o aumento do IOF impeçam reduções significativas docusto final dos financiamentos. "A gente não tem tanto espaço para redução de taxas, é dese esperar um crescimento menor do crédito", afirmou o chefe doDepartamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Analistas ponderam que o crescimento não depende apenas docrédito, embora esse venha sendo um grande estímulo. "Osestímulos para o consumo continuam sendo o emprego e a renda,que devem continuar em crescimento", acrescentou Honda. O desemprego atingiu em 2007 o menor nível da sériehistórica do IBGE e a renda teve mais um ano de expansão.

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