Indústria e setor externo prejudicam resultado do PIB no 1º mandato de Dilma

Recuo no setor de transformação e piora no resultado das exportações dificultaram crescimento econômico entre 2011 e 2014

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2015 | 18h32

A indústria da transformação e o setor externo jogaram contra o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Um estudo do Instituto do Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) revela que a atividade da indústria de transformação caiu 3,6% entre 2011 e 2014.O setor industrial completo que, além da transformação, inclui construção, eletricidade e extrativa mineral, cresceu 2,5%. Nesse período, as exportações caíram no mesmo ritmo (-3,6%), e as importações subiram 8,2%.

"Estamos abrindo mão de um setor que é um dos mais nobres na economia”, afirma Julio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. "A indústria ficou acanhada. A importação cresceu muito, porque o setor perdeu competitividade, e a exportação piorou porque a indústria não tem competitividade", afirma Almeida.

No primeiro mandato do governo Dilma, o setor com melhor desempenho foi a agropecuária, com crescimento acumulado de 11%. O setor de serviços avançou 7,7%.

Pelo lado da demanda, entre 2011 e 2014, o melhor resultado foi o consumo das famílias (10,9%), seguido pelo consumo do governo (8,6%) e investimento (3,4%)

Desde a crise. Num recorte mais amplo, desde o estouro da crise mundial no último trimestre de 2008, o quadro da economia brasileira é o mesmo: indústria de transformação e setor externo dificultaram o crescimento econômico brasileiro.

Nesse período, o setor industrial avançou 6,5%, com destaque negativo para a o setor de transformação, com retração de 6,9%. As exportações caíram 3,8%, e as importações dispararam 33,9%.

Pela ótica da produção, o setor de serviços foi o que teve o melhor desempenho, alta de 16,4%. “A economia brasileira se tornou consumidora e importadora. Em geral, esse não é o modelo de uma economia emergente que quer transpor a barreira para se tornar uma economia madura”, afirma Almeida.

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