Indústria elogia medidas, mas prefere ver efeitos 'na prática'

Segundo presidente da Fiesp, juros em alta e real valorizado são empecilhos para o setor

Adriana Chiarini e Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

12 de maio de 2008 | 14h22

O empresariado deve apoiar todas as medidas da nova política industrial. Porém, "tem que ver como será na prática", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Segundo ele, juros em alta e real valorizado são empecilhos para o setor. "Com juros subindo, não vai se estimular investimento, e, com câmbio valorizado, é muito difícil estimular a exportação", explicou. Veja também:Política industrial terá quatro metas para os próximos 2 anosParte da política industrial vai como MP, diz LulaPrecisamos investir mais e melhor, diz Miguel JorgeAumento da exportação não é fácil, mas factível, diz CoutinhoCríticas à política industrial são naturais, diz BernardoNova política é enorme e fantástica, diz Gabrielli  Skaf elogiou principalmente a renúncia fiscal do governo, que deve chegar a R$ 21,4 bilhões. Mesmo assim, Skaf ressalvou que é preciso estudar as medidas anunciadas. "Toda desoneração fiscal é sempre positiva. Se é suficiente, se pode ser mais ampla, vamos ver depois", afirmou.  O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, elogiou a iniciativa do governo e destacou o caráter suprapartidário do lançamento. Ele observou que o programa contou com grande apoio político, com a presença de vários governadores e de 10 ministros. Grubisich reforçou o coro dos que se preocupam com a gestão das medidas a serem implementadas. "O governo anunciou um conjunto muito grande de medidas e é preciso ter cuidado para que não se torne muito complexo", afirmou. Entretanto, o empresário fez questão de ressaltar que se todas as medidas anunciadas foram realmente implementadas, o programa vai atingir seu objetivo de incentivar o crescimento e ampliar as exportações. O executivo não se mostrou decepcionado com a falta de medidas para conter a apreciação do real frente ao dólar e, com isso, estimular as exportações. Entretanto, admitiu que é preciso "colocar os juros no nível correto" para que o câmbio possa se ajustar. Mais elogios O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto, também elogiou a elaboração de um Programa de Desenvolvimento Produtivo. Segundo ele, o governo do presidente Lula trouxe o tema novamente para os holofotes. Entretanto, Neto fez questão de lista em seu discurso, o último antes da fala do presidente Lula no evento de lançamento do programa, dos desafios que o governo vai enfrentar na implementação do projeto. O presidente da CNI foi enfático ao ressaltar que o Brasil precisa de um maior controle fiscal para que possa haver um abrandamento da política monetária e, com isso, se evitar uma apreciação tão forte do real frente ao dólar como se viu nos últimos anos. Segundo ele, esse ponto prejudica as exportações. Outros desafios apontados por Neto são uma maior articulação entre as esferas do governo que coordenam o programa e a maior interlocução entre o setor privado e o público. E chegou a alfinetar o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, ao lembrar que há mais de 15 meses o Conselho Nacional de Desenvolvimento Indústria (CNDI) não se reúne. O órgão é formado por representantes da iniciativa privada e do governo para criar políticas o crescimento do setor. Em seu discurso, Neto lembrou da necessidade de uma reforma tributária foi outra questão lembrada pelo executivo como um desafio a implementação. O plano O plano anunciado pelo governo nesta segunda-feira, dia 12, terá quatro metas que deverão ser cumpridas até 2010. Uma das metas do plano é ampliar o investimento fixo dos atuais 17,6% do Produto Interno Bruto (PIB) para 21%. A segunda é estimular a inovação do setor industrial, com um conjunto de medidas que irá elevar os investimentos privados em Pesquisa & Desenvolvimento para 0,65% do PIB até 2010. O programa também prevê o aumento na participação brasileira nas exportações mundiais, dos atuais 1,18% (em 2007) para 1,25%. Já a quarta meta propõe a expansão em 10% do número de micro e pequenas empresas exportadoras, totalizado 12.971 em 2010.

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