Indústria em marcha à ré

Há claros sinais de que perdeu força o processo de moderação da crise industrial

Rafael Cagnin, Impresso

02 Dezembro 2016 | 21h42

Em outubro, a produção industrial voltou a cair, depois de um terceiro trimestre ruim, que gerou um novo recuo do PIB do setor. Há, então, claros sinais de que perdeu força o processo de moderação da crise industrial que marcou o primeiro semestre.

Na linha de frente dessa reversão estão justamente aqueles setores que vinham melhorando no primeiro semestre e, agora, pioraram. O destaque vai para os bens de capital, cuja produção cresceu sistematicamente até junho, mas depois só regrediu.

Corridos dez meses do ano, o destino da indústria em 2016 está praticamente selado e não deve ser muito diferente daquele de 2015. O que preocupa para o desempenho do próximo ano é que não parece haver nenhuma força motriz capaz de recuperar o País.

Além da indústria, as atividades do comércio e do setor de serviços continuam em declínio, agravando ainda mais a situação do emprego. Até a taxa de câmbio mais competitiva, que ajudou o setor industrial no primeiro semestre, já não é mais a mesma.

Nessas condições, não é de se estranhar a deterioração adicional da indústria ocorrida nos últimos meses, inclusive com impactos negativos sobre a confiança dos empresários, que vinha lentamente se fortalecendo em meses anteriores. Sem que a evolução efetiva dos negócios corrobore as expectativas para o futuro, sua melhora acaba sendo revista para baixo antes mesmo de poder desencadear algum efeito positivo sobre a economia.

Este seria o momento de o país adicionar fatores dinamizadores para pavimentar a recuperação, como a aceleração da redução dos juros e o estancamento da volatilidade cambial. Além disso, seria fundamental recompor os investimentos públicos, particularmente prejudicados pelo ajustamento das contas públicas, e avançar mais rapidamente nos programas de concessões. Para isso, entretanto, será necessário equacionar o problema de financiamento decorrente das restrições impostas à atuação do BNDES.

*Economista do Iedi

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