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Indústria em queda

Os números deste ano da indústria brasileira elétrica e eletrônica não foram nada bonitos. "Todos vão concluir que estamos dando graças a Deus que o ano está acabando", disse, na semana passada, Humberto Barbato, presidente da Abinee, associação do setor. O faturamento real da indústria caiu 3% neste ano, segundo projeção da Abinee, com destaque negativo para o setor de equipamentos para geração, transmissão e distribuição de energia, que baixou 13%.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2014 | 02h05

Poucas áreas cresceram. A principal foi telecomunicações, com avanço de 9%, principalmente por causa das vendas de smartphones. Também tiveram expansão a automação industrial e as utilidades domésticas, ambas com alta de 4%.

Muito tem se falado da perda de competitividade da indústria brasileira. Mas, no caso do setor eletroeletrônico neste ano, o problema foi contração de demanda, e não perda de participação para competidores estrangeiros. A fatia de bens finais importados no mercado interno caiu de 23% no ano passado para 22,5%. Houve queda de 4% nas importações e de 9% nas exportações.

O setor é um dos alvos da política industrial do governo. Neste ano, foram renovadas a Lei de Informática e a Lei do Bem, que reduzem impostos dos produtos fabricados por aqui, e houve desoneração da folha para fabricantes de equipamentos para o setor de energia. A indústria defende, no entanto, que um bom ambiente macroeconômico é mais importante do que medidas setoriais.

A principal reclamação é em relação ao câmbio, mesmo depois da desvalorização recente do real. Para Barbato, uma cotação ideal do dólar, para que o setor se torne competitivo mundialmente, estaria entre R$ 3 e R$ 3,10. "A decisão de deixar o câmbio num patamar correto foi sendo adiada, pois era uma maneira cômoda de segurar a inflação", disse o presidente da Abinee. "Então vai ser todo mundo sacoleiro em Miami."

Para Barbato, ter uma política industrial sem um ambiente macroeconômico adequado é como "enxugar gelo com toalha quente". Ele fez um desabafo a respeito das críticas que o setor recebe, por causa de os eletrônicos brasileiros estarem entre os mais caros do mundo. "Falam como se a gente fosse incompetente, como se a gente recebesse incentivo e não conseguisse competir." Em 2008, a indústria eletroeletrônica respondia por 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Atualmente, está em cerca de 2,5%.

O presidente da Abinee acredita que ainda dá tempo de o Brasil competir pelo mercado internacional. "O problema de termos perdido mercado é que ficamos muito caros", afirmou. "Somos empresas transnacionais com produção no Brasil. É fácil colocar, rapidamente, os produtos brasileiros em várias partes do mundo."

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