Indústria emperra e segura o PIB no 1º trimestre

Clima de incerteza externa, associado às dificuldades de competitividade do setor, ainda é entrave para que a produção deslanche e impulsione o PIB

Bianca Ribeiro, da Agência Estado,

20 de abril de 2012 | 17h56

SÃO PAULO - A produção industrial brasileira medida pelo IBGE (PIM) deve fechar o primeiro trimestre do ano com um resultado melhor do que a retração apurada entre outubro e dezembro, mas analistas e economistas duvidam de avanço significativo e apostam em um nível de atividade entre 0% e 0,8%. O clima de incerteza externa, associado às dificuldades de competitividade do setor, ainda é entrave para que a produção deslanche e impulsione o Produto Interno Bruto (PIB) do País no período.

Para o mês de março, na comparação com fevereiro, as previsões para a indústria variam bastante, de 1% a 2,8% de alta em termos já ajustados sazonalmente, após uma alta de 1,3% registrada em fevereiro comparativamente a janeiro. Para traçar suas projeções, os economistas fazem seus ajustes com os indicadores antecedentes já divulgados, como a produção de veículos (Anfavea) e de papelão ondulado (ABPO), bem como o fluxo de veículos em estradas pedagiadas (ABCR) e a carga de energia consumida no País (ONS), entre outros. Todos apontaram avanço no mês, mas isso não indica necessariamente uma tendência para os próximos meses.

O economista do Itaú Unibanco, Aurélio Bicalho, diz que o aumento da produção de veículos em março, de cerca de 4% (com ajuste), foi bastante forte, mas não foi acompanhado de aumento de vendas de carros no mesmo período, o que deve acarretar mais estocagem e, portanto, produção mais moderada nos próximos dois meses.

A indústria teve uma melhora no primeiro trimestre, mas a atividade ainda sofre o efeito de diversos meses de dados fracos desde o ano passado, diz Bicalho. "O resultado da indústria não vai contribuir para o crescimento do PIB no período, mas o setor deve ter um desempenho bem melhor que o do quarto trimestre de 2011", afirma. Segundo seus cálculos, a produção industrial recuou 1,4% naquele período.

Na MB Associados, a projeção para a indústria em março indica produção 2,8% maior perante fevereiro, com uma expansão de 0,6% do quarto trimestre para o primeiro trimestre deste ano. Sergio Vale, economista-chefe da consultoria, avalia que esse resultado deve garantir um avanço de pelo menos 0,6% no PIB do País dos primeiros três meses de 2012.

O número se aproxima da estimativa do economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, de expansão entre 0,5% e 0,8% para a economia brasileira no trimestre inicial de 2012 na comparação com o quarto trimestre de 2011. Serrano diz que esse resultado estaria mais amparado em um crescimento acentuado do setor de serviços do que da indústria, cuja produção deve ficar em zero no período trimestral, após expansão de 1% no mês de março ante fevereiro.

Sobre as medidas recentes da política industrial do governo, o Plano Brasil Maior, que abrigaram desonerações da folha de pagamentos para alguns setores e incentivaram o crédito a investimentos com taxas mais baixas, Bicalho lembra que os eventuais efeitos não aparecerão nos números da atividade do primeiro trimestre e ainda há dúvida sobre o poder das medidas para o resultado da produção industrial dos meses seguintes.

Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, afirma que o plano do governo não alterou suas previsões para a produção industrial neste ano, que está em crescimento de 2%, levando o PIB do País para uma alta de 3,2% em 2012. Segundo o economista, a produção industrial deve crescer 1% na passagem de fevereiro para março e ficar estagnada em zero no primeiro trimestre deste ano perante o último trimestre de 2011.

O dado dessazonalizado para o mês de março calculado pela Tendências explica a estimativa, ao mostrar um crescimento de 6,3% na produção de carros, aumento de 2,4% no fluxo de veículos nas estradas e expansão de 1% na expedição de papelão ondulado. Na avaliação de Bacciotti, o setor industrial chegou a ensaiar uma recuperação desde o fim do ano passado, mas agora voltou a "patinar".

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