Indústria ferroviária cresce 37% em 2001

A retomada do transporte através dos trens metropolitanos em diversas capitais brasileiras e a reativação do transporte de cargas por ferrovias geraram forte expansão na indústria ferroviária no país. Pelos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor cresceu 37% em 2001, enquanto a indústria como um todo registrou expansão de 1,5%. Na previsão do vice-presidente do Sindicato Interestadual da Industria de Material e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), Massimo Giazina, e presidente da empresa TTrans, o setor deve encerrar 2002 com volume de negócios da ordem de R$ 8 bilhões. Outro aspecto positivo, na avaliação do executivo, é que os contratos estão sendo executados com financiamentos do Banco Mundial (BIRD) e Banco Interamericano (BID), o que permite maior regularidade no pagamento. "Nos últimos dois anos, com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) houve uma melhoria substancial no recebimento dos serviços prestados ao setor público no Brasil. Não é mais como antigamente, que era como vaga-lume, com idas e vindas, mas ainda temos alguns problemas. Os contratos com bancos internacionais dão mais tranqüilidade", observou Giazina, que dirige uma das poucas empresas genuinamente nacionais.Entre os projetos de trens metropolitanos que estão em expansão, Giazina citou as linhas 4 e 5 do metrô de São Paulo, a linha 3 do metrô do Rio de Janeiro (ligando a capital às cidades de Niterói e São Gonçalo), a fase dois do metrô de Fortaleza; a construção da linha São Leopoldo-Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul), além de expansões dos sistemas em Recife e Belo Horizonte. O metrô fluminense vai anunciar os pré-qualificados amanhã, e o metrô de São Paulo anuncia os vencedores da fase 4 até o final do mês. "São vários negócios em fase final de contratação", disse Giazina. O Banco Mundial está financiando a expansão dos sistemas de metrô de Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e o sistema de integração em São Paulo (CPTM). O Banco Interamericano está apoiando a fase dois da linha do metrô de São Paulo, enquanto o governo federal está investindo no sistema gaúcho. A linha 3 do Rio será executada com recursos próprios do governo do estado e financiamentos locais.Além dos trens metropolitanos, outro aspecto que está "puxando" firme a indústria ferroviária é o de transporte de cargas. Segundo o vice-presidente do Simefre, cinco anos após a privatização do setor, já há empresas que oferecem serviços de ferrovia de longa distância com hora certa. Ou seja, se a carga não chegar no horário previsto, o cliente não paga o frete. Segundo Giazina, esse serviço já está disponível no transporte de Campinas para Buenos Aires, de São Paulo para Recife e de Belo Horizonte para Vitória. "Isso só está sendo possível devido à integração com o transporte por caminhões", explicou. A expansão gerou até a necessidade de importação de locomotivas, que estão em falta no país. As transportadoras tentaram contratar novas unidades no país, mas a urgência levou o setor a negociar a importação de locomotivas de segunda mão no exterior, para reformá-las internamente. Segundo Giazina, isso foi negociado com a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Indústria e Comércio, e as primeiras locomotivas já estão sendo compradas no exterior. Com o preço de construir uma locomotiva no Brasil, seria possível comprar quatro ou cinco locomotivas no exterior. A reforma dessas unidades, de qualquer forma vai gerar mais negócios no Brasil e permitir que as transportadoras ampliam a oferta de serviços, explica Giazina.

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