Indústria frágil preocupa Serra

Perda de competitividade da indústria é o centro das preocupações da equipe econômica tucana

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

O processo de perda de competitividade da indústria brasileira é o centro das preocupações da equipe econômica do candidato do PSDB, José Serra. O dólar barato tem levado fábricas nacionais a ampliarem o uso de componentes importados na sua produção. Outras simplesmente deixaram de produzir e passaram a comercializar produtos vindos do exterior.

A "ampla mudança" na economia defendida por Serra na semana passada, quando questionado sobre o problema do câmbio, consistiria em estancar o enfraquecimento da indústria. Para isso, o dólar precisaria apreciar-se ante o real.

Uma conversa com os assessores tucanos deixa a impressão que não seriam adotadas medidas drásticas para atingir esse objetivo. O economista Geraldo Biasoto Júnior, um dos encarregados do programa econômico, tem defendido, em artigos e entrevistas, que uma ação mais contundente do Banco Central (BC) no mercado de câmbio ajudaria a conter a queda da cotação do dólar.

"O poder que qualquer Banco Central tem de estar no mercado e colocar medo nos especuladores é muito grande", disse um assessor. "Se o governo agir, eles vão pensar duas vezes." Uma forma de assustar os especuladores seria o BC comprar e vender moeda estrangeira "de surpresa." Isso tiraria a previsibilidade sobre a cotação do dólar e tornaria mais difícil montar as operações especulativas.

A equipe de Serra não parece flertar com mudanças profundas na política cambial - como, por exemplo, passar a administrar o câmbio. Essa era a política no Brasil antes do Plano Real.

A taxa de juros elevada, responsável pela atração dos capitais especulativos para o País, poderia cair com uma melhor coordenação de políticas de governo. Os gastos excessivos do setor público e a política de popularizar o crédito bancário puxaram o consumo para cima e obrigaram o BC a manter a taxa de juros em alta para conter pressões inflacionárias. É esse cabo de guerra que, em tese, não ocorreria num eventual governo Serra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.