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Indústria iniciou ano com melhora, mas efeito coronavírus dificulta prever trajetória

O economista da CNI Marcelo Azevedo afirmou que ainda é prematuro fazer novas previsões

Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 12h19

BRASÍLIA - Os indicadores industriais de janeiro apontavam melhora da atividade, após dois meses de resultados majoritariamente negativos. Segundo Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados no início da tarde, no primeiro mês do ano, todos os índices que medem a atividade registraram recuperação, com destaque para a elevação do faturamento real em 1,5%.

Os números, no entanto, não podem mais ser considerados uma tendência diante da volatilidade que toma conta dos mercados internacionais, provocada principalmente pela pandemia do novo coronavírus.

O economista da CNI Marcelo Azevedo afirmou que ainda é prematuro para fazer novas previsões e que não dá para apontar a intensidade e duração do impacto da pandemia na atividade.

"Não é só o efeito do coronavírus, mas tudo o que está sendo feito em todos os países para lidar com o problema. Esses efeitos vão se somando e não só na indústria", afirmou Azevedo, lembrando ainda da queda do preço do petróleo no mercado internacional e da medida anunciada ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de restrição dos voos da Europa para aquele país. Segundo ele, ainda é difícil mensurar esses efeitos na produção e a CNI está monitorando e analisando os números para rever suas projeções.

No final do ano passado, a entidade havia projetado uma alta para o PIB industrial de 2,8% neste ano e de 2,5% para o PIB brasileiro. Azevedo disse que essa expectativa deve ser revista, mas que a CNI ainda monitora para ver qual o melhor momento para atualizar os números. No ano passado, segundo os números divulgados pelo IBGE, o PIB industrial cresceu apenas 0,5%.

Os Indicadores Industriais apontam que as horas trabalhadas na produção cresceram 1% em janeiro frente a dezembro de 2019, já considerando a correção sazonal e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) atingiu 78%, uma alta de 0,4 ponto porcentual na comparação com o último mês do ano passado. Os demais indicadores, emprego, massa salarial e rendimento médio real, registraram crescimentos mais modestos. O faturamento de janeiro também foi 3,2% superior ao registrado no mesmo mês de 2019.

"Todo esse movimento acontece numa hora delicada para a indústria, que vinha numa trajetória de recuperação. Janeiro talvez pudesse colocar a indústria num novo patamar. Estávamos nos aproximando de um momento em que se esperava recuperação do emprego e investimento no setor", disse Azevedo, ponderando que o momento agora é de acompanhar os efeitos da crise para poder avaliar melhor se essa trajetória será adiada ou não. 

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