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Indústria investe menos, a não ser em inovação

Segundo um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as empresas vinculadas à indústria de transformação planejam investir 4,7% menos do que no ano passado, quando a Formação Bruta de Capital Fixo avançou 21,8%, o que permitiu um crescimento de 7,5% do PIB.

, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

Diversos fatores levaram esse setor a reduzir investimentos. Aproveitando-se de uma taxa cambial favorável à importação, a indústria de transformação paulista realizou grandes investimentos para se tornar capaz de atender a uma demanda doméstica robusta. Mas tudo indica que ultrapassou o crescimento da demanda, como se vê pela Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que se está estabilizando, apesar do aumento da produção. No entanto, a estabilidade dos estoques parece indicar que a indústria não chegou a produzir mais do que o necessário para atender à demanda.

A programação de investir menos deve ter outras causas. A maior parece ser que, com uma valorização constante do real ante o dólar, as importações provenientes da Ásia reduzem cada vez mais a capacidade de produção da indústria nacional, que importa os componentes dos produtos que são montados no Brasil.

Esse fator se agrava diante de um peso tributário cada vez maior, que reduz a capacidade da indústria nacional, enquanto o ambiente inflacionista que estamos atravessando obriga as autoridades monetárias a aumentar os juros pagos pela indústria. Seria preciso acrescentar a isso o custo trabalhista, ao qual a indústria parece já se ter acostumado.

As pressões que todos esses fatores exercem sobre a indústria nacional têm pelo menos a vantagem de forçá-la a melhor orientar seus investimentos. É interessante que os industriais de São Paulo, embora reduzam também seus investimentos totais, optaram por aumentar em 16,6% aqueles destinados à inovação. Durante anos a indústria se limitou a aceitar os bens de alta tecnologia provenientes do exterior, sem procurar desenvolver uma tecnologia nacional suscetível de enfrentar a concorrência internacional, impondo produtos nacionais com alto conteúdo tecnológico - com exceção talvez da indústria aeronáutica. No momento em que nos estamos transformando num grande produtor de petróleo a grande profundidade, continuamos dependendo do exterior para as plataformas de exploração.

Em compensação, registra-se um recuo de 8,2% dos investimentos em gestão, que tanto falta ao Brasil e não apenas no setor privado.

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