Indústria na Argentina pode crescer até 5% em 2010

Produção industrial deve fechar este ano com uma queda em torno de 7%, apontam consultores

Marina Guimarães, da Agência Estado,

28 de dezembro de 2009 | 15h05

A recuperação verificada na indústria argentina nos últimos meses não será suficiente para reverter a tendência negativa que marcou 2009. A produção industrial deve fechar este ano com uma queda em torno de 7%, mas em 2010 crescerá entre 3% a 5%, conforme projeções de diferentes consultores e da União Industrial Argentina (UIA), publicadas nesse fim de semana.

 

De acordo com a Ecolatina, a produção estimada para 2010 "será administrada com ampliações de turnos ou de carga horária e, em segunda instância, com a criação de vagas adicionais". A expansão projetada pela Ecolatina é de 3% para 2010, amparada no contexto internacional. Para a consultoria Ferreres & Associados, a indústria vai crescer entre 4% a 5% em 2010, mas ele alerta para a deterioração da situação fiscal do país, que pode ser um obstáculo ao crescimento.

 

Para a Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (Fiel), o crescimento da economia local será de 3%. O Brasil "será um dos motores auxiliares para dar impulso à economia argentina no próximo ano", segundo o economista chefe da Fiel, Daniel Artana.

 

Os setores automobilístico e metais básicos são os líderes da recuperação econômica. Embora tenham sido os mais prejudicados nesse ano, são estes dois os que possuem melhores expectativas de exportações para o próximo ano.

 

"O setor automotivo se posicionou, em outubro, 1,1% abaixo do mesmo período de 2008, evidenciando o melhor desempenho desde o estancamento da crise, e recuperando-se substancialmente em relação aos retrocessos de 55%, verificado do primeiro bimestre do ano, comparado com o mesmo lapso de tempo de 2008", analisa o relatório de atividade do Centro de Estudos da UIA (CEU). Os economistas da UIA destacam que essa melhora só foi possível graças à "reversão da crise internacional e, particularmente, à recuperação do Brasil".

 

A equipe da consultoria Ecolatina também prevê melhoras nesses setores, assim como em alimentos e bebidas. "Enquanto os incentivos fiscais forem mantidos e a incerteza nos mercados centrais for despejada, o incremento da demanda externa favorecerá as exportações de manufaturas de origem industrial (Moi)", pondera a Ecolatina. A indústria metalúrgica é outra que dá sinais de alívio, conforme avaliação do Departamento de Estudos Econômicos da Associação de Industriais Metalúrgicos da Argentina (Adimra).

 

"Em novembro a atividade se sustentou em torno de 60%, o que significa a consolidação do processo de recuperação que vem sendo observado", disse o relatório da entidade. O documento destaca ainda que 76% das empresas consultadas para a realização da análise esperam uma melhora, ou pelo menos, a sustentabilidade do nível atual da atividade do setor.

 

Obstáculos

 

Os principais obstáculos apontados pelos analistas para 2010 são os conflitos sociais e salariais e os preços elevados. "É esperado um alto nível de conflitos trabalhistas e que o financiamento no mercado local continue escasso", alerta a Ecolatina.

 

Segundo o relatório da UIA, durante os 10 primeiros meses de 2009, a indústria argentina retrocedeu 8,5%. Depois de um ano de crise e de queda da demanda, a advertência é para que os incrementos na produção industrial sejam graduais, para ir testando a reação da demanda. Nesse sentido, eles explicam que a atual capacidade instalada permite o aumento da produção sem, necessariamente, realizar novos investimentos.

 

O economista Carlos Melconian, da M&C Consultores afirma que "o cenário indica expansão de entre 3% a 4%, impulsionada pelo melhor clima financeiro internacional e local, além das boas expectativas para a colheita de soja". O analista Miguel Bein, da consultoria homônima, é mais otimista e aposta em expansão de 4,8%. "Depois de chegar ao piso, em meados de 2009, a produção de bens e serviços da Argentina começou, pouco a pouco, a reagir positivamente, o que deixará um bom rescaldo para iniciar 2010", ressaltou Bein. Segundo ele, com a ajuda das chuvas, a produção agrícola tem melhores perspectivas, as quais reforçam a retomada do crescimento econômico.

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