Indústria nacional sustenta lojas de R$ 1,99

As populares lojas que vendem centenas de produtos por R$ 1,99 sustentam-se hoje na indústria nacional. Ela garante o fornecimento de quase 70% dos itens. Um retrato bem diferente da época em que começaram a pipocar por todas as esquinas, no meio da década de 90. Estima-se que no fim de ano esse porcentual caia para 50%, em razão da venda de enfeites de Natal importados.A verdade é que os mais de 15 mil lojistas do País, que vendem em média 1,5 mil artigos por ponto, está ganhando a confiança de possíveis fabricantes para o setor. Alguns readaptaram sistemas de produção e baixaram margens de lucro para atender esse mercado. O ganho nesse setor baseia-se no grande volume, pois o lucro por peça é baixo. A tendência de nacionalização de parte dos produtos intensificou-se com a desvalorização cambial, em janeiro do ano passado. Agora, aos poucos, fabricantes cedem à tendência de criar soluções mais baratas para donos de lojas sempre em busca de novidades.200 mil empregos diretos e indiretosSão raros e desencontrados os dados sobre a atividade industrial de produtos de baixo preço, por se tratar de uma produção muito pulverizada. Estima-se, entretanto, que ela responda por 200 mil empregos diretos e indiretos. Para colher dados mais precisos sobre o segmento, a primeira Feira de R$ 1,99 irá ocorrer de 18 a 21 de outubro, no Internacional Eventos, em Guarulhos, numa promoção de empresários do setor. O diretor-geral da Feira, Francisco Schmitz, diz que as primeiras lojas surgiram em Camboriú, em Santa Catarina, trazidas por empresários argentinos.Quando chegaram ao Brasil, 99% dos produtos eram importados. Muitos lojistas importavam produtos para distribuição nas lojas R$ 1,99, da Europa, Coréia, Taiwan e mais fortemente da China. Houve quem apostasse que fossem desaparecer com a desvalorização. Muitas realmente sumiram, mas hoje, a realidade é outra. Importadores estão se adaptando aos novos temposOs importadores também se adaptam aos novos tempos. Transformam e criam produtos para atender a um setor que vive de novidades e à mercê dos altos e baixos da economia. Por exemplo, uma sobra de escovas de dentes que chegou em grande escala no País, virou "bucha", produto de baixo valor no jargão dos empresários de R$ 1,99. Essa escova ganhou um novo suporte e se transformou em um "filé" (uma novidade). O importante é não deixar de criar. Talvez por isso, muitas já estejam anunciando produtos a partir de R$ 1,00. A meta do comércio agora é elevar o nível de qualidade dos produtos.

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